Bancada Feminina do Senado completa 5 anos com legado de conquistas e transformação
Criada em março de 2021, a Bancada Feminina do Senado adquiriu status de liderança e transformou a defesa dos direitos das mulheres numa pauta permanente. Foram diversas vitórias legislativas importantes, como a lei da violência política, a lei do stalking e a lei que deu às brasileiras com mais de 40 anos o direito à mamografia pelo SUS. Confira a primeira parte da reportagem especial.

Transcrição
Quando Eunice Michiles (MIKILIS), a primeira senadora do Brasil a exercer o cargo, chegou ao Senado, em 1979, ela foi tratada com um misto de deferência e descrédito. E, por muito tempo, em episódios ainda recentes, coube às senadoras, isoladas em meio a dezenas de senadores homens, apoiar as pautas de seus colegas e partidos.
---
Poucas vozes femininas em meio a muitas masculinas.
Por isso, há cinco anos, as então 12 senadoras dos diferentes partidos da Casa decidiram se juntar para que a defesa das mulheres brasileiras passasse para o primeiro plano. Nascia, assim, a Bancada Feminina do Senado. Entre as integrantes, Leila Barros, do PDT do Distrito Federal. Ela lembra com pesar que o espaço de mobilização ainda era restrito ao mês de março.
A gente tinha muito isso na Casa. "Março é o mês da mulher e vamos ter tal pauta". Aquilo angustiava, nos angustiava de certa forma. Por quê?
Pela primeira vez, a representação feminina tinha liderança e voz no Senado. E, o principal, força para exigir que suas prioridades fossem agenda permanente, e não apenas “águas de março”, como costumavam ser, como frisou a senadora Leila Barros, do PDT do Distrito Federal. Participando do Colégio de Líderes, a bancada garantiu que houvesse projetos de interesse das mulheres na pauta de votações todas as semanas, como conta a senadora Eliziane Gama, do PSD do Maranhão.
Porque o debate, aquele que acontece por trás das câmeras, aquele que não está na fotografia, onde é discutida de fato a Ordem do Dia, lá não havia uma presença de uma mulher de forma direcionada a dizer, olha, a pauta feminina tem que estar de fato na Ordem do Dia.
Os resultados não demoraram a aparecer. A bancada conquistou a aprovação da lei de combate à violência política praticada contra mulheres e da lei da criminalização do stalking ou perseguição – uma inciativa da senadora Leila. As senadoras também agiram para derrubar os vetos ao projeto que deu origem à Lei da Dignidade Menstrual, que garantiu a distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda e mulheres em situação de vulnerabilidade.
E, mais recentemente, as brasileiras com mais de 40 anos passaram a ter direito à mamografia pelo SUS, graças ao trabalho de relatoria da senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal, e da articulação da bancada feminina. Para Damares, a criação da bancada fez com que as senadoras passassem a ser vistas com mais respeito.
Com a bancada unida dessa forma e constituída, a gente teve o direito de orientar voto. Sabe o que é lá no Plenário, na hora de discutir uma proposta de emenda à Constituição, na hora de discutir uma matéria extremamente polêmica e o nosso voto ser considerado? A orientação da bancada, porque nós somos 16! Nós decidimos um painel nessa Casa! Então isso trouxe, assim, "puxa, elas pensam!" ,"puxa, elas são sábias!".
E se engana quem pensa que as mulheres parlamentares só sabem brigar pelas pautas ditas “femininas”. No próximo episódio desse especial você vai ver que a atuação da Bancada Feminina, hoje com 16 senadoras, sob a liderança da senadora Professora Dorinha Seabra, do União do Tocantins, vem transformando a dinâmica de funcionamento do Legislativo.
Reportagem, Raíssa Abreu (com áudios da TV Senado)

