Projeto cria programa de prevenção de erros de medicação em hospitais
Benício Xavier, de 6 anos, morreu em novembro de 2025, em Manaus, após receber uma dose fatal de adrenalina na veia, quando o correto seria que o medicamento fosse administrado por via respiratória. Para evitar que tragédias como essa se repitam, o senador Sérgio Petecão (PSD-AC) apresentou um projeto (PL 238/2026) que torna obrigatória a criação de programas de prevenção contra erros de medicação nos hospitais.

Transcrição
Em novembro de 2025, Benício Xavier, de 6 anos, chegou a um hospital de Manaus com tosse e dor de garganta. A médica que o atendeu, então, fez uma prescrição de adrenalina. É o indicado, nesses casos: adrenalina por inalação. Só que a prescrição de Benício dizia “adrenalina na veia”. Benício morreu depois de sofrer seis paradas cardíacas.
A morte de Benício não chega a ser uma fatalidade. Os dados mostram que os erros em locais de assistência à saúde, quase sempre marcados pelo estresse, pela pressa e pela fadiga, são frequentes. No Brasil, eventos adversos acontecem em 7,6% das hospitalizações, sendo que 66% desses incidentes são classificados como evitáveis.
E foi pensando na necessidade de evitar tragédias como a do garoto Benício que o senador Sérgio Petecão, do PSD do Acre, apresentou um projeto que torna obrigatória a criação de programas de prevenção contra erros de medicação nos hospitais.
Nós não queremos prejudicar ninguém, nós não queremos perseguir ninguém, nós queremos que os profissionais de saúde possam agir com toda a responsabilidade. Agora, a ideia é que nós possamos criar uma espécie de um grupo de pessoas dentro do próprio hospital que vá fiscalizar essas receitas que são prescrevidas por alguns médicos que têm cometido esses erros e têm prejudicado a saúde de muita gente.
A proposta prevê uma série de medidas de gestão de risco e de integração de equipes, além de uso de tecnologias da informação em saúde e providências para reduzir a sobrecarga de trabalho nos hospitais. O senador disse acreditar que essas mudanças farão a diferença / sobretudo no interior do país.
Eu moro no estado do Acre. Nós temos aqui dificuldade, nossos municípios são municípios isolados. Imagina aí como é feito o tratamento em alguns hospitais aqui no interior do meu estado. Então, a minha preocupação é que a gente possa criar exatamente uma condição para que nós possamos cobrar do hospital, hospital de todo o país, não só do Acre, para que ele possa criar um mecanismo para... Na verdade é um mecanismo de prevenção. O nosso projeto é de prevenção, que não ocorra mais situações como essa que você acabou de citar lá no estado do Amazonas.
O projeto de Petecão agora passará pela análise das comissões.
Da Rádio Senado, Raíssa Abreu.

