Iluminação do Congresso alerta sobre a prevenção à hanseníase
Senado Federal terá iluminação roxa nesse fim de semana em alusão ao Dia Mundial de Prevenção à Hanseníase.
A iluminação serve como um sinal de alerta: o Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de detecção de novos casos da doença.

Transcrição
Ainda marcada pelo preconceito e pela desinformação, a percepção sobre hanseníase vem ganhando novos contornos no Brasil. Antes conhecida como lepra, nomenclatura proibida por lei em usos oficiais desde 1995, a doença vem sendo alvo de debates e de ações do Poder Legislativo visando à sua desmistificação. Uma dessas iniciativas é a do Senado Federal, que promove iluminação roxa na cúpula externa em alusão ao Dia Mundial de Prevenção à Hanseníase, celebrado no último domingo de janeiro.
A iluminação serve como um sinal de alerta para uma realidade preocupante. O Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de detecção de novos casos da doença, com mais de 22 mil registros constatados em 2024, último ano com dados consolidados, ficando atrás apenas da Índia. Em estados como Mato Grosso e Tocantins, a doença é considerada hiperendêmica, ou seja, tem incidência acima de 40 casos a cada 100 mil habitantes. Segundo dados do Data SUS, o Mato Grosso supera em três vezes esse número, com detecção de 121 casos por 100 mil habitantes.
A senadora Zenaide Maia, do PSD do Rio Grande do Norte, lembrou que o estigma chegou a ser política de Estado, inclusive.
Século passado havia um clima de pânico social em relação às pessoas com ranceníase que frequentemente eram marginalizadas, não podiam trabalhar e por não terem condições de subsistir mendigavam pelas ruas. Nesse contexto cercaram-se e violaram-se direitos fundamentais das primeiras vítimas dessa pol Políica sanitária nacional.
Iniciativas como a do Senado objetivam dar fim a esse passado sombrio. Hoje, já se sabe que a doença, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, embora transmissível, deixa de ser contagiosa assim que se inicia o tratamento com antibióticos. Portanto, não há necessidade de isolamento social. A hanseníase hoje tem cura e o tratamento é inteiramente gratuito, oferecido pelo SUS.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia, SBD, no entanto, adverte que diagnosticar cedo faz toda a diferença. Por afetar os nervos, a doença pode gerar sequelas graves se não tratada a tempo, o que pode incluir a perda de movimentos e de sensibilidade. Nesse sentido, a iluminação do Senado Federal deixa um recado, como afirma a campanha da SBD pelo janeiro roxo: toda lesão de pele é um alerta e não deve ser ignorada. Da Rádio Senado, Douglas Castilho

