Escolas públicas terão 200 milhões para criação de laboratórios tecnólogicos, prevê MEC
O Ministério da Educação lançou edital que destina R$ 200 milhões à criação de laboratórios tecnológicos em escolas públicas de ensino médio.
A iniciativa prevê robótica, impressoras 3D, realidade virtual e formação de professores. Estudantes que já têm acesso às aulas relatam ganhos no aprendizado, enquanto parlamentares avaliam que a modernização do ensino pode ajudar a reduzir a evasão escolar e aproximar a escola da realidade do mundo do trabalho. (PL 4513/2020)

Transcrição
O Ministério da Educação publicou no Diário Oficial um edital que prevê o investimento de 200 milhões de reais para a implantação de Laboratórios de Experimentação Tecnológica em escolas públicas de ensino médio de todo o país. A proposta inclui equipamentos como impressoras 3D, kits de robótica, recursos de realidade virtual e estúdios de audiovisual, com foco no aprendizado prático. As escolas contempladas deverão apresentar, além do projeto de infraestrutura, um plano de formação de professores, garantindo que a tecnologia seja incorporada às atividades pedagógicas e ao currículo regular. A experiência já faz parte da rotina de alguns estudantes da rede pública. No Centro de Ensino Fundamental 01 da Vila Planalto, região central de Brasília, Luís Oliveira tem aulas de robótica. Para ele, o contato com a tecnologia muda a forma de aprender.
A gente começa a aprender um pouco mais, querendo ou não uma robótica automata inserida no mundo. Então é algo muito interessante para os jovens, para as crianças, terem um pouco mais de contato com esse tipo de coisa, que logo, logo, todos vão ter que aprender um pouco.”
Para o senador Esperidião Amin, do Progressistas de Santa Catarina, a falta de acesso a conteúdos conectados à realidade profissional contribui diretamente para a evasão no ensino médio. Segundo ele, quando o estudante não enxerga sentido prático no que aprende, a permanência na escola fica comprometida.
“Se o jovem perceber que ele não vai ter ali nenhum ensinamento, não vai ter acesso a nada relevante que possa ajudar a colocá-lo no mercado de trabalho, ele vai embora. Essa é uma das justificativas da evasão no ensino médio. A falta de alguns meios, especialmente a conexão digital, basta para desestimular em poucos dias o garoto procurar outro caminho.”
O senador Zequinha Marinho, do Podemos do Pará, avalia que iniciativas como essa ajudam a corrigir um descompasso histórico entre a escola e as transformações tecnológicas da sociedade.
“Estamos devendo isso à sociedade brasileira. Nós estamos educando um jovem para um mundo que não existe mais. Esse aqui é o caminho para que a gente retome um debate importantíssimo e possa educar um jovem, formar um jovem.”
A iniciativa do MEC se soma à Política Nacional de Educação Digital, aprovada pelo Congresso Nacional em 2023. A lei estabelece normas para o uso pedagógico da tecnologia na educação básica. Com supervisão de Bruno Lourenço, da Rádio Senado, Henrique Nascimento.

