Menos telas, mais vínculos: o que 2025 ensinou à educação brasileira — Rádio Senado
Aprendizagem

Menos telas, mais vínculos: o que 2025 ensinou à educação brasileira

O ano de 2025 marcou uma mudança de rota na educação brasileira, com escolas reduzindo o uso de telas e retomando o foco no vínculo, no brincar e na experiência real. A pedagoga Cristiane Cristo avalia que a criança voltou a ocupar o centro do processo de aprendizagem, enquanto a tecnologia passou a ser tratada como ferramenta de apoio. A tendência deve se fortalecer nos próximos anos.

07/01/2026, 15h45
Duração de áudio: 02:57
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Transcrição
O ano de 2025 deve ficar marcado na história da educação brasileira como o momento em que as escolas pisaram no freio. Depois da aceleração digital trazida pela pandemia e da explosão da inteligência artificial, as instituições de ensino perceberam que era hora de olhar novamente para o básico: a criança. Incentivadas pela lei que restringiu o uso de smartphones nas escolas, tendências como a política de "zero celular" em sala de aula ganharam força, mostrando que o foco voltou a ser o contato humano e o tempo de qualidade. Cristiane Cristo, diretora pedagógica, avalia que o ano trouxe uma lição clara sobre como o aprendizado realmente acontece. (Cristiane Cristo) “2025, ensinou algo essencial. A criança ela aprende quando vive experiências reais. Depois de um período de excesso de telas, aceleração e estímulos artificiais, as escolas perceberam que o vínculo, a presença, o brincar e as relações humanas são insubstituíveis. Então assim, aprender não é só acumular informação, é viver, é experimentar, errar, conversar e construir sentido naquilo que você está fazendo. Então quando a escola desenvolve esse espaço para criança, o aprendizado acontece de forma mais profunda, acontece de verdade.”  Essa mudança de comportamento também reflete uma nova exigência das famílias, que passaram a buscar escolas que acolhem e desenvolvem competências socioemocionais, em vez de apenas focarem no desempenho acadêmico. Para o futuro, o desafio é equilibrar essas conexões humanas com o avanço inevitável da tecnologia. A inteligência artificial continua na pauta, mas agora entendida como ferramenta de apoio, e não como o centro das atenções. Cristiane reforça o que é necessário para formar alunos preparados para o mundo. (Cristiane Cristo) "As escolas precisam escolher colocar a criança no centro do processo, sempre o protagonismo de verdade. Isso significa limitar telas, valores ao brincar, fortalecer as relações, organizar rotinas integrais e oferecer experiências que conectem conhecimento à vida real. A tecnologia e a inteligência artificial, elas têm espaço, mas como ferramentas, não como protagonistas. Protagonistas precisam ser as crianças. O futuro tipo de educação, passa-se assim por formar crianças autônomas, críticas, empáticas e preparadas para o mundo."  A previsão para 2026 em diante é de ambientes escolares menos tecnológicos na primeira infância e mais voltados para a convivência. A ideia é que, respeitando o tempo próprio da infância, as escolas formem jovens mais criativos e capazes de transformar a realidade. Da Rádio Senado, sob supervisão de Adriano Faria, Júlia Fernandes.

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