Comissão aprofunda debate sobre interseccionalidade de raça e gênero
A Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher realizou audiência interativa para debater a violência contra mulheres negras e indígenas, buscando caminhos para a criação de políticas públicas mais assertivas.
O diagnóstico é de que a interseccionalidade de raça e gênero modifica diretamente o perfil de violências sofridas por mulheres e, por isso, exige diagnósticos e medidas específicas.

Transcrição
A Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher realizou audiência interativa para debater a violência contra mulheres negras e indígenas, buscando caminhos para a criação de políticas públicas mais assertivas. O diagnóstico da audiência é de que a interseccionalidade de raça e gênero modifica diretamente o perfil de violências sofridas por mulheres e, por isso, exige avaliações e medidas específicas.
A presidente da comissão, Deputada Luizianne Lins, do PT do Ceará, destacou a importância da precisão nesse tipo de tomada de decisão.
(Deputada Luizianne Lins) "Essa questão das políticas públicas, você precisa ter o diagnóstico mais preciso possível, para exatamente você, em cima dos recursos que tem, que às vezes não são muitos, você possa dar o remédio, digamos assim, certo para determinada situação."
Representando o Ministério da Igualdade Racial, a Secretária-Executiva Adjunta Bárbara Oliveira Souza destacou o peso da perspectiva étnico-racial nas estatísticas e apresentou os dados.
(Bárbara Oliveira Souza) "A gente vive em um cenário de feminicídio completamente alarmante, mas que obviamente tem, sob essa perspectiva racial e étnica, uma gravidade ainda mais marcante e demanda um cuidado nosso importante. Então os dados apontam que há um crescimento de 4,7% na taxa de feminicídio a gente tem também uma presença maior de 63,6% de mulheres negras. A população negra, hoje, no Brasil é de 55,5%. Então a gente tem um acréscimo importante."
A representante da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas do Pará, Ana Mel da Silva Grimath, alertou para os dados alarmantes de crescimento das agressões contra mulheres indígenas.
(Ana Mel da Silva Grimath) "A violência sexual foi o tipo que mais cresceu. Teve-se um aumento de 297% entre mulheres indígenas, e metade dessas vítimas são menores de 14 anos. Esses números não são apenas estatística, são vidas indígenas que estão sendo interrompidas."
Com base nas discussões que realiza, a Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher pode elaborar proposições a serem discutidas pelo Congresso Nacional. Da Rádio Senado, Douglas Castilho.

