Eleições 2026: veja como a candidata pode se proteger no ambiente digital
Mais de 155 milhões de brasileiras e brasileiros voltarão às urnas eletrônicas em outubro para escolher o presidente da República, governadores e senadores, e deputados federais, estaduais e distritais. Se disputar uma eleição já é desafiador, para as mulheres, esse desafio é ainda maior.
Além das exigências da campanha, candidatas enfrentam barreiras adicionais, como desigualdade de espaço, ataques direcionados e maior exposição à violência no ambiente digital. Redes sociais, aplicativos de mensagens e outras plataformas são centrais nas campanhas, mas também ampliam riscos como desinformação, ataques coordenados e invasão de contas.
O Guia da Candidata, elaborado pela Procuradoria Especial da Mulher do Senado, traz orientações para proteger mulheres durante a campanha e chama atenção para a violência política de gênero, que também ocorre na internet.
Cargos em disputa
Os cargos em disputa nas eleições gerais de 2026 são do Executivo e do Legislativo em nível federal e estadual. Em 2026, cada unidade da Federação elegerá dois senadores, o que explica o total de 54 vagas. Cada eleitor vota em seis opções no 1º turno (incluindo dois votos para senador).
Veja o quadro a seguir com a distribuição de vagas por cargos e a idade mínima exigida para cada um deles:
| Cargo | Vagas | Idade mínima |
| Presidente da República | 1 | 35 anos |
| Governador de Estado (e DF) | 27 | 30 anos |
| Senador | 54 | 35 anos |
| Deputado Federal | 513 | 21 anos |
| Deputado Estadual/Distrital | 1.059 | 21 anos |
O que é violência política de gênero
Segundo o guia, violência política de gênero é toda forma de discriminação, constrangimento, ameaça, exclusão ou ataque praticado contra mulheres em razão do sexo ou da raça, com o objetivo de prejudicar ou limitar o exercício de seus direitos políticos.
Esse tipo de violência pode ocorrer dentro dos partidos, durante a campanha, no exercício do mandato e também no ambiente digital, inclusive com a disseminação de conteúdos falsos ou manipulados.
Como essa violência aparece nas campanhas
No ambiente on-line, a violência política de gênero pode assumir diferentes formas. Veja exemplos que ajudam a identificar esse tipo de ataque:
- disseminação de fake news ou conteúdos manipulados sobre a candidata;
- uso de deep fakes (vídeos, áudios ou imagens falsificadas);
- ataques à reputação e à credibilidade;
- exposição de dados pessoais;
- comentários ofensivos com base em gênero, aparência ou vida pessoal.
Também são comuns questionamentos sobre maternidade, insinuações de incapacidade e ataques com teor sexual ou misógino. Essas práticas não fazem parte do debate democrático e podem configurar violência.
Como se proteger nas redes
Para reduzir riscos, o Guia da Candidata recomenda medidas simples de segurança digital:
- ativar a verificação em duas etapas em todas as contas;
- usar senhas fortes e não compartilhá-las;
- revisar configurações de privacidade nas redes sociais;
- desconfiar de links e arquivos desconhecidos;
- evitar divulgar dados pessoais durante a campanha.
Esses cuidados ajudam a prevenir invasões e o uso indevido de informações.
Atenção a golpes e tentativas de invasão
Candidatas também podem ser alvo de mensagens falsas ou links maliciosos enviados por e-mail ou aplicativos.
Esses golpes são usados para roubar senhas ou acessar contas. Por isso, é importante verificar a origem das mensagens antes de clicar em qualquer link.
O que fazer em caso de ataque
Se houver invasão de conta, assédio ou disseminação de conteúdo falso, o guia orienta:
- guardar provas, como prints, links e mensagens;
- evitar responder imediatamente ao agressor;
- denunciar o conteúdo em delegacias (Boletim de Ocorrência), diretamente nas plataformas digitais e no Ministério Público Federal;
- buscar apoio institucional e jurídico, como o uso do aplicativo Pardal para irregularidades de propaganda e do Siade (Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral) para combater fake news e deepfakes.
Registrar os ataques é fundamental para responsabilizar os autores.
Informação também é proteção
O guia reforça que segurança digital não depende apenas de ferramentas, mas também de comportamento e atenção no uso das redes. O Senado Federal oferece canais para apoiar mulheres na política e combater a desinformação.
Pela Procuradoria da Mulher, é possível tirar dúvidas, conhecer direitos e denunciar situações de violência. O atendimento pode ser feito de forma sigilosa pelo Zap Delas: (61) 98309-0025.
O Senado Verifica, serviço de checagem de informações, atua em parceria com o Zap Delas e encaminha denúncias de violência de gênero à Procuradoria. Combater fake news também ajuda a proteger a democracia e os direitos das mulheres. Para verificar informações suspeitas sobre o Senado, o contato é pelo WhatsApp: (61) 98190-0601.
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