A urna eletrônica é segura? Entenda como funciona e por que ela é confiável
A urna eletrônica é segura? Essa pergunta sempre surge seja em ano de eleição ou não.
A discussão costuma tomar as redes sociais e grupos de amigos e famílias. Diversas teorias aparecem como justificativa para questionar o sistema de votação. No entanto, todo o processo eletrônico de votação passa por testes, auditorias e fiscalização a cada eleição.
Usada em eleições brasileiras desde 1996, a urna eletrônica integra um sistema desenvolvido pela Justiça Eleitoral para garantir mais segurança, agilidade, confiabilidade e transparência à votação.
Em 30 anos, a Justiça Eleitoral nunca registrou uma fraude comprovada sobre o sistema.
Fiscalização e auditoria
O processo eletrônico de votação passa por mais de 40 processos de auditoria antes, durante e depois das eleições e é submetido periodicamente a testes públicos de segurança, nos quais especialistas e instituições convidadas procuram identificar eventuais vulnerabilidades.
A fiscalização ocorre de várias formas, como a abertura do código-fonte, o Teste Público de Segurança, os Testes de Integridade, o Registro Digital do Voto (RDV), o Boletim de Urna e a publicação de arquivos e resultados na internet. Também é possível verificar assinaturas digitais, comparar boletins e realizar recontagens a partir do RDV. Para saber mais, veja a Resolução nº 23.673/2021, atualizada pela Resolução nº 23.758/2026.
Como funciona a urna
A urna eletrônica é um equipamento desenvolvido para registrar e contabilizar os votos nas eleições; o nome oficial é Coletor Eletrônico de Voto (CEV).
Antes de serem utilizadas nas votações, elas passam por testes em laboratórios e são preparadas pela Justiça Eleitoral de cada estado e do Distrito Federal. Ela é transportada em uma embalagem própria, de papelão, desenvolvida para proteger o equipamento durante longas viagens. O transporte pode ser feito por estradas de terra, embarcações, inclusive para atender comunidades indígenas e regiões ribeirinhas.
O coordenador de Tecnologia Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rafael Azevedo, explicou que a embalagem também passa por testes para verificar sua resistência a diferentes condições de transporte. A urna e a embalagem são preparadas para suportar diferentes condições de transporte e longas viagens. Rafael tirou dúvidas sobre os sistema durante uma live que mostrou a urna por dentro.
A urna é ligada à internet ou Bluetooth?
Não. A urna utilizada para a votação não é conectada à internet, ao Wi-Fi ou ao Bluetooth. O equipamento funciona de forma isolada durante a votação, sem conexões com redes externas, o que impede ataques remotos por meio dessas conexões.
E se faltar energia?
A urna possui bateria própria e pode continuar funcionando mesmo em caso de interrupção do fornecimento de energia elétrica. Em locais de difícil acesso, também há planejamento para o uso de baterias externas, conforme o planejamento da Justiça Eleitoral.
Como o eleitor é identificado?
O eleitor apresenta o documento ao mesário, que faz a habilitação para a votação. Quando há biometria cadastrada e disponível, a identificação biométrica pode ser utilizada. Caso a biometria não seja reconhecida, existem procedimentos previstos pela Justiça Eleitoral para permitir a votação após as verificações necessárias.
O que acontece se alguém tentar alterar o sistema?
A urna utiliza mecanismos de assinatura digital e verificação de integridade. Os sistemas eleitorais passam por etapas de inspeção, assinatura e lacração antes das eleições.
Na cerimônia de assinatura digital e lacração, a versão final dos sistemas, os códigos-fonte e os executáveis são apresentados às entidades fiscalizadoras. Os programas são compilados, recebem resumos digitais — os chamados hashes — e são assinados digitalmente. Depois, são gravados em mídias não regraváveis, lacrados e armazenados em local seguro.
Isso significa que um programa adulterado ou que não tenha passado pelos procedimentos oficiais de segurança não é aceito pela urna.
O que é uma assinatura digital?
A assinatura digital funciona, de forma simplificada, como uma identificação matemática que permite verificar a autenticidade e a integridade de um arquivo. É diferente de uma assinatura manuscrita porque sua verificação é feita matematicamente por sistemas criptográficos.
O código-fonte pode ser fiscalizado?
Sim. O código-fonte dos sistemas eleitorais fica disponível para inspeção pelas entidades fiscalizadoras dentro do ciclo de transparência estabelecido pela Justiça Eleitoral.
O que acontece depois da votação?
Ao final da votação, a urna emite o Boletim de Urna (BU), documento que registra os resultados daquela seção eleitoral.
Essas informações são utilizadas no processo de totalização. Os boletins também são disponibilizados pela Justiça Eleitoral, permitindo a conferência dos resultados.
Além disso, existem mecanismos de auditoria que permitem, entre outras verificações, comparar o boletim impresso com os dados recebidos pelo sistema de totalização, conferir assinaturas digitais, verificar arquivos da urna e realizar recontagem a partir do Registro Digital do Voto.
Teste de Integridade
O procedimento simula uma votação para verificar se a urna registra e contabiliza os votos corretamente. Durante o teste, votos previamente preenchidos em cédulas de papel são digitados na urna. Ao final, o resultado produzido pelo equipamento é comparado com os votos que foram inseridos manualmente.
Teste de Integridade com Biometria
A partir das eleições de 2026, também há o Teste de Integridade com Biometria, no qual eleitoras e eleitores voluntários podem participar da habilitação da urna de teste por meio da biometria.
Exposição: Jornada da Democracia
No início de agosto, os presidentes do Tribunal Superior Eleitoral, Kássio Nunes Marques, e do Senado Federal, Davi Alcolumbre, inauguraram a exposição intitulada “O Caminho do Voto – A Jornada da Democracia”, no Espaço Senador Ivandro Cunha Lima, no Senado Federal.
A mostra retrata as etapas do processo eleitoral, desde o desenvolvimento e os testes da urna eletrônica até a votação e a apuração dos resultados, e integra a programação da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação.
Durante a cerimônia, Nunes Marques agradeceu a participação do Congresso Nacional na aprovação das leis que consolidaram o processo eletrônico de votação:
—Que cada visitante, ao percorrer esta exposição, possa compreender que o verdadeiro caminho do voto tem origem no trabalho coordenado das instituições da República, no compromisso permanente com a transparência e na responsabilidade compartilhada de preservar a confiança da sociedade no processo eleitoral brasileiro. — ressaltou.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que a iniciativa exalta o papel de um sistema eletrônico reconhecido internacionalmente: o sistema de votação nas urnas eletrônicas do Brasil.
— Temos um dos processos eleitorais mais confiáveis do mundo, se não for o mais confiável. Precisamos disseminar entre as brasileiras e os brasileiros esta convicção, esta certeza.— ressaltou.
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