O Brasil pré-histórico: tesouros arqueológicos da Serra da Capivara
Maior nome da arqueologia brasileira, Niède Guidon morreu no último dia 4 de junho, aos 92 anos, em São Raimundo Nonato (PI). Suas pesquisas na Serra da Capivara, sudeste do Estado, reescreveram a história sobre a chegada do Homo sapiens às Américas. Mas seu legado ultrapassa a ciência: ela foi a principal responsável pela criação do Parque Nacional que conserva as riquezas naturais e culturais daquela parte da caatinga; e teve papel decisivo na transformação socioeconômica da região.
Na reportagem “O Brasil pré-histórico: tesouros arqueológicos da Serra da Capivara”, o jornalista Celso Cavalcanti percorre as paisagens e os paredões de pinturas rupestres do Parque; conversa com quem trabalhou e conviveu ao lado de Niède; e descreve os registros que comprovam a presença humana no Piauí há dezenas de milhares de anos.
O conteúdo, dividido em quatro episódios, está disponível na íntegra em senado.leg.br/radio e nos principais agregadores de podcast.

Transcrição
1ª parte - ARTE RUPESTRE NA CAATINGA
HÁ MILHARES DE ANOS, MUITO ANTES DE O BRASIL EXISTIR COMO PAÍS, HOMENS E MULHERES PRÉ-HISTÓRICOS JÁ HABITAVAM AS TERRAS SUDESTES DO ATUAL ESTADO DO PIAUÍ. DEIXARAM VESTÍGIOS DE SUA PRESENÇA HÁ 10 MIL...50...ATÉ 100 MIL ANOS. PESQUISAS LIDERADAS PELA ARQUEÓLOGA NIÉDE GUIDON, QUE FALECEU NO INÍCIO DE JUNHO, REESCREVERAM A HISTÓRIA SOBRE A CHEGADA DO HOMO-SAPIENS ÀS AMÉRICAS; E AJUDARAM A TRANSFORMAR A REALIDADE SÓCIO-ECONÔMICA NAQUELE PEDAÇO DO SEMI-ÁRIDO NORDESTINO. É O QUE VOCÊ VAI ACOMPANHAR COM O JORNALISTA CELSO CAVALCANTI, NOS QUATRO EPISÓDIOS DA REPORTAGEM “O BRASIL PRÉ-HISTÓRICO: TESOURO ARQUEOLÓGICO DA SERRA DA CAPIVARA”. UMA PRODUÇÃO RÁDIO SENADO.
UM SANTUÁRIO NATURAL DA CAATINGA. VALES E FORMAÇÕES ROCHOSAS EXUBERANTES, A PERDER DE VISTA. MUSEU A CÉU ABERTO COM MAIS DE MIL E DUZENTOS SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS E O MAIOR ACERVO DE PINTURAS RUPESTRES JÁ DESCOBERTO EM TODO O MUNDO.
DECLARADO PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE PELA UNESCO, O PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CAPIVARA SE ESTENDE POR UMA ÁREA DE 130 MIL HECTARES ENTRE OS MUNICÍPIOS DE SÃO RAIMUNDO NONATO, CORONEL JOSÉ DIAS, JOÃO COSTA E BREJO DO PIAUÍ.
HÁ DÉCADAS O LUGAR ATRAI CIENTISTAS EM BUSCA DE PISTAS SOBRE CIVILIZAÇÕES PRÉ-HISTÓRICAS. PROFESSORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO E PESQUISADORA DA FUNDAÇÃO MUSEU DO HOMEM AMERICANO, SEDIADA EM SÃO RAIMUNDO, GISELE FELICE ESTEVE PELA PRIMEIRA VEZ NA REGIÃO AINDA COMO ESTUDANTE, NA DÉCADA DE 80, E LOGO DEPOIS SE INTEGROU À EQUIPE DA ARQUEÓLOGA NIÉDE GUIDON. ELA EXPLICA A IMPORTÂNCIA DO LOCAL:
“Além de uma paisagem belíssima, da beleza cênica que são as serras, as rochas e a vegetação de caatinga, tem a maior concentração de sítios arqueológicos com pinturas rupestres conhecida da América e muito provavelmente do mundo todo. O que chamou muita atenção da doutora Niéde, dos pesquisadores que vieram para cá foi a diversidade de temas, a diversidade de técnicas, a diversidade de cenas. Isso fez com que as pessoas verificassem a importância dessa magnífica concentração de sítios arqueológicos com registros rupestres na região da serra da capivara”.
UM DOS GUIAS PIONEIROS DO PARQUE, ORIENTADO PESSOALMENTE POR NIÈDE GUIDON HÁ MAIS DE 30 ANOS, RAFAEL MORAIS DESCREVE ALGUMAS DAS PINTURAS E DESENHOS PRÉ-HISTÓRICOS ETERNIZADOS NOS PAREDÕES:
“Nas pinturas rupestres você tem muita expressão de caça, de luta, de sexo coletivo, de beijo, de parto, de religiosidade. E comparado isso com o resto do mundo, por exemplo na Europa você tem muitas cenas de caça e guerra, mas na serra da capivara vai ter essa parte lúdica, esse cotidiano, num total de quase 40 mil pinturas rupestres”.
A CENA DE BEIJO CITADA POR RAFAEL, UMA DAS MAIS ICÔNICAS DE TODO O PARQUE, SUGERE DUAS PESSOAS TOCANDO OS LÁBIOS, UMA DE FRENTE PARA A OUTRA.
“Então, nós interpretamos como uma cena de um beijo, sendo um beijo, é a primeira manifestação de carinho, de amor, da história da humanidade, que é uma pintura que tem ali 12 mil anos atrás. O que é bonito na arte rupestre é isto: cada um interpreta da maneira que vê.
MAS O QUE LEVOU O HOMEM PRÉ-HISTÓRICO A DEIXAR TANTOS DESENHOS E PINTURAS NAQUELE ARENITO? QUAL ERA SEU OBJETIVO COM ISSO? SEGUNDO A PROFESSORA GISELE, SERIAM MOTIVAÇÕES VARIADAS. ELA CONTA, INCLUSIVE, QUE ALGUMAS COMBINAÇÕES DE SIGNOS SE REPETEM DE FORMA SIMULTÂNEA EM LOCAIS DIFERENTES, COMO EMBLEMAS REPRESENTANDO UM SISTEMA DE COMUNICAÇÃO:
“Podem ter múltiplas funções de comunicação, a função de estabelecimento de regras, várias questões do cotidiano, então é claro que tem uma intencionalidade de registrar algumas das informações sobre as pessoas que moravam e sobre parte do que é sua cultura”.
INSTITUÍDO EM 1979 POR EMPENHO DIRETO DE NIÉDE GUIDÓN, O PARQUE NACIONAL É GERIDO PELO ICM-BIO, COM PARCERIA DA FUNDAÇÃO MUSEU DO HOMEM AMERICANO, CRIADA 1986 TAMBÉM POR INICIATIVA DA ARQUEÓLOGA. ATUAL CHEFE DO PARQUE, MARIAN RODRIGUES LEMBRA QUE A UNIDADE É LAR DE ESPÉCIES AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO, COMO AS ONÇAS PARDA E PINTADA, E O TATU BOLA; E RECONHECE QUE ESSA PRESERVAÇÃO DO BIOMA É FRUTO DO TRABALHO CIENTÍFICO NA ÁREA:
“Exatamente, foi a ciência que criou essa unidade de conservação. Porque na época que a doutora Niéde começou a fazer os estudos, a maneira de proteger seria a criação de uma unidade de conservação na categoria parque nacional. Foi o patrimônio arqueológico que ajudou a conservar essa parte do bioma”.
GISELE FELICE DIZ QUE AS PESQUISAS JÁ COMPROVARAM A PRESENÇA DE SERES HUMANOS NA SERRA DA CAPIVARA EM ÉPOCAS QUE REMONTAM A MUITOS MILHARES DE ANOS:
“O boqueirão da pedra furada que é um sítio muito antigo, que tem uma ocupação humana que vai desde 6 mil anos, e conforme você vai aprofundando as escavações, você vai encontrando outras datações, outras cronologias para as ocupações humanas. De 6 mil anos, 20 mil anos, chegando até a idade igual ou maior que 50 mil anos. Essa idade de 50 mil anos datam as fogueiras e as pedras lascadas”.
ESTUDOS EM ANDAMENTO SOBRE OUTROS RESTOS DE FOGUEIRAS, EM CAMADAS MAIS PROFUNDAS DO SOLO, INDICARIAM PRESENÇA HUMANA HÁ ATÉ MAIS DE 100 MIL ANOS NA REGIÃO. DA RÁDIO SENADO, CELSO CAVALCANTI.
NA PRÓXIMA PARTE DA REPORTAGEM ESPECIAL “O BRASIL PRÉ-HISTÓRICO: TESOURO ARQUEOLÓGICO DA SERRA DA CAPIVARA”: O LEGADO DE NIÈDE GUIDON UNE CIÊNCIA, MEIO AMBIENTE E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL.
2ª parte - NIÉDE GUIDON: CIÊNCIA COM TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
3ª parte - HISTÓRIA REESCRITA
OS ESTUDOS CIENTÍFICOS NO SUDESTE DO PIAUÍ AJUDAM A DESMONTAR ANTIGAS TEORIAS SOBRE A CHEGADA DO HOMEM ÀS AMÉRICAS. O EMPENHO DOS PESQUISADORES PARA INTERPRETAR SEGREDOS DE UM PASSADO LONGÍNQUO. ACOMPANHE AGORA A TERCEIRA PARTE DA REPORTAGEM “O BRASIL PRÉ-HISTÓRICO: TESOURO ARQUEOLÓGICO DA SERRA DA CAPIVARA”. UMA PRODUÇÃO RÁDIO SENADO:
UM TRABALHO SILENCIOSO, DE PLENA ATENÇÃO, PERSEVERANÇA E SUOR SOB O SOL ESCALDANTE DA CAATINGA. É ASSIM, CAMADA POR CAMADA, QUE A EQUIPE DE ARQUEÓLOGOS DA CAPIVARA TRAZ À TONA NOVAS DESCOBERTAS SOBRE A PRÉ-HISTÓRIA NO BRASIL. COMO DESCREVE A COORDENADORA DE MUSEUS ROSA TRAKALO:
“Imagine uma casa abandonada, passa 15, 20 anos, chega está cheia de pó. 300 anos vai estar quase a metade da casa cheia de pó. E aí vai. E milhares de anos na terra essa poeira entre aspas que vai se depositando, sedimentos, vai cobrindo as camadas. Aí vem outra população e vive, e deixa seus vestígios e de novo o sedimento cobre. O arqueólogo vai escavando, descendo as camadas e por diferentes métodos de datação consegue saber em que época isso foi abandonado, pelo menos”.
GISELE FELICE DESTACA QUE, ALÉM DAS PINTURAS E GRAVURAS NAS PAREDES, A REGIÃO ESCONDE NO SUB-SOLO UMA INFINIDADE DE REGISTROS HUMANOS DA PRÉ-HISTÓRIA, COMO CERÂMICAS, URNAS FUNERÁRIAS, SEIXOS QUEIMADOS E ARTEFATOS DIVERSOS:
“Existem vários tipos de vestígios e várias cronologias. As pedras polidas, por exemplo, os machados polidos, por exemplo, a gente tem um machado com uma cronologia de nove mil anos. O que demonstra que as pessoas da região há 9 mil anos atrás já conheciam a técnica de polimento”.
CADA NOVO MATERIAL REVELADO NOS SÍTIOS PASSA POR ANÁLISE E CATALOGAÇÃO CRITERIOSAS. TÂNIA SANTANA É COORDENADORA DE LABORATÓRIOS DA FUNDAÇÃO MUSEU DO HOMEM AMERICANO E EXPLICA COMO É FEITO ESSE TRABALHO.
“A gente faz a fase que a gente chama de curadoria de vestígios arqueológicos. Quando o material, os vestígios são coletados em campo, oriundos das campanhas de escavação, quando chega no laboratório a gente vai começar a trabalhar eles, conferência deles, a higienização, a numeração e análise. Eles vão passar também por um processo de registro, que é o registro imagético, aí tem alguns que passam por registros tridimensionais, então a gente vai estar trabalhando em cima desse material que está chegando do campo”.
DURANTE MUITO TEMPO, A HIPÓTESE MAIS ACEITA SOBRE A CHEGADA DOS SERES HUMANOS ÀS AMÉRICAS FOI A DA CHAMADA TEORIA CLOVIS: HÁ CERCA DE 13 MIL ANOS, NO PERÍODO DA ÚLTIMA ERA GLACIAL, OS PRIMEIROS HOMO SAPÍENS TERIAM CRUZADO O ESTREITO DE BERING, DA SIBÉRIA PARA O ALASCA, .
MAS HOJE ESSA CONVICÇÃO CAIU POR TERRA, TANTO PELAS PESQUISAS NO PIAUÍ QUANTO POR OUTRAS DESCOBERTAS EM PAÍSES COMO CHILE, URUGUAI, MÉXICO E ESTADOS UNIDOS. DE ACORDO COM A PROFESSORA GISELE, O SER HUMANO PERCORREU DIFERENTES CAMINHOS NA DIREÇÃO DO NOVO MUNDO.
“Nós acreditamos que o deslocamento via o estreito de Bering, via beríngia, quando formou uma ponte de gelo, que esse deslocamento ocorreu, mas a gente acha que não foi o único caminho nem o único período. Podem existir outros caminhos, como os caminhos transoceânicos. Doutora Niede vai dizer que de acordo com as correntes marinhas, dá para tranquilamente sair da África e chegar à deriva no nordeste do Brasil. Mas podem ter tido outros caminhos mesmo, pelo oceano pacífico e tudo mais”.
O CENÁRIO QUE HOJE É DE CAATINGA, UM DIA JÁ FOI MATA ATLÀNTICA E ATÉ FLORESTA AMAZÔNICA. ALIÁS, BEM ANTES DISSO ESTEVE COBERTO PELO MAR. AS ALTERAÇÕES NO CLIMA MUDARAM AOS POUCOS O TIPO DE VEGETAÇÃO, E AFASTARAM DESSA PARTE DO PIAUÍ ANIMAIS DE GRANDE PORTE QUE CHEGARAM A DIVIDIRAM ESPAÇO COM O HOMEM PRÉ-HISTÓRICO: PREGUIÇAS GIGANTES, TIGRES DE DENTE DE SABRE, TATUS DO TAMANHO DE UM FUSCA E OUTROS. A CHEFE DO PARQUE NACIONAL MARIAN RODRIGUES FALA SOBRE ESSA MEGAFAUNA:
“Pelos estudos a megafauna co-existiu com o humano pelo menos até 10 mil anos. Quando o clima foi mudando, era savana, eram árvores de grande porte, como eram animais grandes, precisavam de uma área em que eles pudessem transitar que era área de savana, aí com as mudanças climáticas essa transição de mata atlântica para cerrado, e depois caatinga, elas foram desaparecendo ou se adaptando”.
VOLTANDO AO HOMO SAPIENS, RAFAEL MORAIS APONTA A QUANTIDADE E DIVERSIDADE DE VESTÍGIOS ENCONTRADOS COMO PROVA DE QUE MUITAS GERAÇÕES PRÉ-HISTÓRICAS SE SUCEDERAM NA SERRA DA CAPIVARA:
“As pinturas não foram feitas por um só grupo, mas por diversos grupos diferentes que passaram naquele determinado paredão, épocas, tempos diferentes, por diversos períodos, estilos, traços diferentes”.
A PROFESSORA GISELE ACRESCENTA QUE OS ESTUDOS CONTINUAM EM BUSCA DE MAIS PISTAS SOBRE QUEM FORAM ESSAS COMUNIDADES PRÉ-HISTÓRICAS QUE HABITARAM O ATUAL PIAUÍ:
“A gente ainda está tentando verificar quais seriam os grupos humanos que viveram na região, através dos traços culturais técnicos, do comportamento, a forma como enterravam as pessoas e as cronologias. Identificar esses grupos humanos que viveram na região e deixaram essa grande quantidade de vestígios. Tanto das pinturas rupestres, como pedras lascadas, como urnas funerárias, que devia ser uma população significativamente grande para ter deixado tantos sítios arqueológicos na região”.
DA RÁDIO SENADO, CELSO CAVALCANTI.
NO ÚLTIMO EPISÓDIO DA REPORTAGEM “O BRASIL PRÉ-HISTÓRICO: TESOURO ARQUEOLÓGICO DA SERRA DA CAPIVARA”: OS ATRATIVOS CULTURAIS E A NATUREZA DO PARQUE NACIONAL SURPREENDEM VISITANTES DO BRASIL E DO EXTERIOR.
4ª parte - ATRATIVOS CULTURAIS E NATURAIS
SUPRESA E ENCANTAMENTO. ESSAS SÃO AS REAÇÕES MAIS COMUNS ENTRE OS MILHARES DE VISITANTES QUE CHEGAM ANUALMENTE AO PARQUE NACIONAL E SE DEPARAM COM AS GALERIAS DE PINTURAS RUPESTRES E A PAISAGEM DE TIRAR O FÔLEGO. CONFIRA NESTA QUARTA E ÚLTIMA PARTE DA REPORTAGEM “O BRASIL PRÉ-HISTÓRICO: TESOURO ARQUEOLÓGICO DA SERRA DA CAPIVARA”. UMA PRODUÇÃO RÁDIO SENADO.
PARA QUEM VEM DE LUGARES MAIS DISTANTES, VIAJAR A SÃO RAIMUNDO NONATO DEMANDA CERTA COMPLEXIDADE LOGÍSTICA SOBRE O MELHOR TRAJETO A FAZER. O AEROPORTO LOCAL AINDA CARECE DE REGULARIDADE NAS ROTAS OPERADAS; A CAPITAL TERESINA ESTÁ A MAIS DE 500 KM POR ESTRADA; E PETROLINA, EM PERNAMBUCO, OUTRA OPÇÃO PARA VOOS COMERCIAIS, A 300KM. NADA DISSO, PORÉM, IMPEDE QUE UM NÚMERO CRESCENTE DE TURISTAS VISITE O PARQUE NACIONAL A CADA ANO: SÓ EM 2024 FORAM QUASE 40 MIL PESSOAS.
E O QUE A PRINCÍPIO PODERIA SER VISTO COMO OBSTÁCULO, ACABA CONTRIBUINDO PARA A PRESERVAÇÃO DESSE SANTUÁRIO DE NATUREZA E CULTURA ENCRAVADO NO PIAUÍ. COMO OBSERVA O GUIA RAFAEL MORAIS.
“Esse fator, longe entre aspas, ajuda muito a selecionar um perfil de pessoas para vir visitar a serra da capivara: pessoas que realmente querem conhecer a serra da capivara”.
E ESSE PERFIL CONTEMPLA DIFERENTES TIPOS DE VIAJANTES: JOVENS ESTUDANTES, PROFESSORES, PESSOAS IDOSAS, AVENTUREIROS SOLITÁRIOS OU COM AMIGOS, FAMÍLIAS INTEIRAS. GENTE QUE, AO CHEGAR, SE DEPARA COM CENÁRIOS DESLUMBRANTES, TRILHAS BEM SINALIZADAS E FACILIDADES COMO PASSARELAS QUE PERMITEM CAMINHAR E VER DE PERTO, COM TODA SEGURANÇA, O IMENSO ACERVO DE PINTURAS RUPESTRES. E AINDA DOIS MUSEUS INTERATIVOS; ALÉM DE UM POVO PRA LÁ DE HOSPITALEIRO. ROSA TRAKALO RESUME O SENTIMENTO COMUM DESSES VISITANTES:
“A reação das pessoas em geral, quando vem dizem ‘ah eu não imaginava que era assim’. Qualquer um que vem aqui que conhece sai daqui cheio de orgulho”.
NOSSA REPORTAGEM CONVERSOU COM ALGUMAS DESSAS PESSOAS. A MÉDICA COSTA-RIQUENHA BEATRIZ COTO FEZ QUESTÃO DE INCLUIR A SERRA DA CAPIVARA NO ROTEIRO DE SUA PRIMEIRA VIAGEM AO BRASIL:
“Porque queria muitíssimo ver o sítio de arte rupestre, porque tem a maior densidade do mundo, e é dos sítios mais importantes da América, a arte é espetacular, a gente é muito linda, quisera ficar mais tempo”.
O CASAL VALTERLIN E LUCIENE SANDES, MARANHENSES RESIDENTES NO ESTADO DE SÃO PAULO, TAMBÉM SE IMPRESSIONOU COM O QUE VIU:
“Uma perfeição divina, algo sobrenatural, natureza viva aqui, tem muita coisa boa para os turistas apreciarem. Impressionante né, como sobreviveram aqui nesse local com tanta maravilha, e deixou essas marcas para nós apreciarmos no dia de hoje, é uma riqueza do país, uma riqueza do estado do Piauí”.
A MESMA REAÇÃO TEVE O BANCÁRIO APOSENTADO NEOMEDES MORAES, MORADOR DE PETROLINA, PERNAMBUCO:
“Maravilhosa, extraordinária, estou me encontrando aqui com a natureza, fatos aqui antigos dos homens pré-históricos, excelente. Vale a pena conhecer essa parte do nosso Brasil, aqui escondida em pleno Piauí. Está muito bom, a parte de organização, estrutura, está bem feito mesmo entendeu, achei muito bom”.
A CHEFE DO PARQUE, MARIAN RODRUGUES, DO ICM BIO, CITA AS ATRAÇÕES MAIS PROCURADAS PELOS TURISTAS QUE CHEGAM À CAPIVARA.
“Os principais que quem vem de longe o primeiro lugar que ele quer ir é conhecer a pedra furada, que é um monumento geológico, que é lindo, belíssimo, e ali naquele complexo tem vários sítios arqueológicos muito importantes que é o boqueirão da pedra furada, o sítio do meio que é lindíssimo também, e ali também temos vistas panorâmicas, depois tem o circuito do desfiladeiro, uma imensidão de sítios arqueológicos, inclusive o primeiro que a doutora Niéde e cadastrou, está nesse circuito, e aí para o outro lado do parque, a serra branca, espetacular, e você vai ter sítios arqueológicos totalmente diferentes em termos de estilo desses outros dois”.
DOIS MUSEUS INTERATIVOS E TECNOLÓGICOS TAMBÉM SÃO ATRAÇÕES DE QUALQUER ROTEIRO NA SERRA DA CAPIVARA: O DO HOMEM AMERICANO, DENTRO DE SÃO RAIMUNDO NONATO, ENSINA SOBRE O POVOAMENTO DA AMÉRICA; REVELA IMAGENS TRIDIMENSIONAIS DAS PINTURAS RUPESTRES, E EXIBE PEÇAS DE RITUAIS FUNERÁRIOS E OUTROS OBJETOS ARQUEOLÓGICOS.
JÁ NO MUSEU DA NATUREZA, ERGUIDO NO MEIO DA CAATINGA, O VISITANTE É CONVIDADO A INTERAGIR COM A EVOLUÇÃO NATURAL E AS PAISAGENS DA REGIÃO, COMO CITA ROSA TRAKALO:
“Tudo é contado através das mudanças climáticas. E através de sensações, de interatividade, tem a parte da paleontologia, os animais da megafauna, tem o tigre de dente de sabre, a preguiça gigante, tatu gigante, tem uma sala com asa delta que a gente entra e põe os óculos de realidade virtual e sobrevoa o parque”.
ORGULHOSO DE SUA TERRA NATAL, O GUIA RAFAEL MORAIS DEIXA UM CONVITE PARA QUE MAIS PESSOAS EMBARQUEM NESSA AVENTURA:
“Trata-se de um documento de nação. É o maior monumento pré-cabralino da história deste país. E eu espero que você venha conhecer a serra da capivara, e nós estamos aqui para receber vocês com um grande abraço e com muita felicidade em receber na nossa terra”.
DA RÁDIO SENADO, CELSO CAVALCANTI.
VOCÊ ACOMPANHOU A REPORTAGEM ESPECIAL “O BRASIL PRÉ-HISTÓRICO: TESOURO ARQUEOLÓGICO DA SERRA DA CAPIVARA”. UMA PRODUÇÃO RÁDIO SENADO. PRODUÇÃO, REPORTAGEM E APRESENTAÇÃO: CELSO CAVALCANTI. EDIÇÃO: MAURÍCIO DE SANTI. LOCUÇÃO: REGINA PINHEIRO. TRABALHOS TÉCNICOS: ANDRÉ MENEZES. TRILHA SONORA: QUINTETO ARMORIAL, ÁLBUM “DO ROMANCE AO GALOPE NORDESTINO”. VOCÊ PODE ACESSAR A ÍNTEGRA DESTA REPORTAGEM PELO SITE SENADO.LEG.BR/RADIO E NOS PRINCIPAIS AGREGADORES DE PODCAST.

