Votação do Impeachment

48 senadores discursaram no 3º bloco da sessão de votação da admissibilidade do impeachment

12/05/2016, 04h30 - ATUALIZADO EM 12/05/2016, 05h09
Duração de áudio: 04:41
Plenário do Senado durante sessão deliberativa extraordinária.
Foto: Beto Barata/Agência Senado

Transcrição
LOC: QUARENTA E OITO SENADORES DISCURSARAM NO TERCEIRO BLOCO DA SESSÃO QUE DISCUTIU A ADMISSIBILIDADE DO IMPEACHMENT NO SENADO. LOC: ESTE FOI O BLOCO MAIS EQUILIBRADO DE SENADORES CONTRÁRIOS E FAVORÁVEIS AO PROCESSO. REPÓRTER MARCELLA CUNHA. (Repórter) O senador Randolfe Rodrigues, do Amapá, em nota pública de seu partido Rede Sustentabilidade, pediu a cassação da chapa que elegeu Dilma e Temer em 2014, além de questionar o fato de o vice-presidente também ter assinado decretos suplementares, pelos quais Dilma será julgada. (Randolfe Rodrigues) “PT e PMDB são irmãos siameses da crise, faces de uma mesma moeda. A solução da crise passa pela Justiça Eleitoral julgar com celeridade os processos que estão em apreciação [para a cassação da chapa Dilma/Temer e a consequente organização de novas eleições presidenciais.” (REP) Porém, o senador Valdir Raupp, do PMDB de Rondônia, disse que Temer não cometeu irregularidades, já que sua assinatura é anterior à decisão do Tribunal de Contas da União. (Valdir Raupp) “Os decretos assinados pelo Vice-Presidente da República, Michel Temer, foram anteriores à decisão do TCU, do Tribunal de Contas de União, que reconheceu como irregulares a edição de decretos após o envio da alteração da meta fiscal de 2015. Portanto, o Vice-Presidente da República, Michel Temer, não cometeu nenhuma irregularidade.” (Repórter) Para o senador Roberto Requião, do PMDB do Paraná, o Governo Dilma promoveu o mesmo arrocho fiscal prometido pelo PSDB na campanha eleitoral de 2014. (Roberto Requião) “Mas hoje vejo todo o grupo de oposição dizendo: "Não, a Dilma errou, quebrou o Brasil, e vamos consertá-lo com os remédios". Quais são os remédios? São os remédios da Dilma, que são iguais aos remédios do PSDB, elevados à décima potência. Isso só pode nos levar a um desastre muito maior.” (Repórter) Porém, segundo o senador Armando Monteiro, do PTB de Pernambuco, que ocupou o cargo de Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Governo Dilma, algumas medidas econômicas não se completaram exatamente pelo clima de polarização do Congresso Nacional. Para ele, as decisões do próprio Congresso muitas vezes não se enquadravam no imperativo da responsabilidade fiscal, tão defendido por alguns senadores em relação ao Executivo. (Armando Monteiro) “Por exemplo, a pauta bomba, que ficou caracterizada como tal e que obrigou o Governo da Presidente Dilma a vetar uma série de projetos que foram aprovados no Congresso Nacional. Eu destacaria, por exemplo, o reajuste do Judiciário, que teria um impacto de R$25 bilhões, se aprovado fosse. O efeito, em 4 anos, alcançaria R$25 bilhões.” (Repórter) A senadora Regina Sousa, do PT do Piauí, disse que a saída do Governo Dilma prejudicará principalmente os negros, indígenas, mulheres e população LGBT, e que o impeachment foi essencialmente político. (Regina Sousa) “Foi a política que decidiu que a Presidenta Dilma não governaria. Tomada a decisão, ou seja, depois de apontar quem seria a criminosa, partiu-se para achar o crime. E não venham apontar aqui a economia, porque este País já passou por várias crises graves, e não se depôs governante. (Repórter) Já o senador Paulo Bauer, do PSDB de Santa Catarina, acredita que o impeachment não pode ser considerado golpe por ser assunto constitucional e legal e estar seguindo seu trâmite dentro da lei e do rito estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal. (Paulo Bauer) “Há quem diga que esses procedimentos feitos pela Presidente são coisas poucas, são coisas pequenas, são coisas que não tem tanto significado. Mas o que está em torno disso tem grande significado. E mais significado tem ainda o golpe praticado nas eleições de 2014, quando a Presidente da República disse ao País que as contas estavam em dia.” (Repórter) O senador Omar Aziz, do PSD do Amazonas, disse que faltou humildade, honestidade e autocrítica para a presidente Dilma. (Omar Aziz) “Eu não acredito que isso estivesse acontecendo se a Presidente Dilma tivesse uma popularidade. Ela podia pedalar a manhã toda e o Congresso Nacional não estaria fazendo o impedimento dela hoje. Não estaria! Não podemos nos iludir, porque o maior problema da Presidenta Dilma foram as consequências que estão acontecendo no Brasil hoje.” (Repórter) O ex-presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, do PMDB do Rio Grande do Norte, ressaltou ser este o segundo impeachment aprovado pelo Plenário em menos de 25 anos. (Garibaldi Alves Filho) “Para as instituições democráticas, cuja permanência e estabilidade têm o impeachment como severa exceção, é tempo curto demais para, por duas vezes, ser posto à prova o nosso sistema de governo.” (Repórter) No total, 71 oradores se inscreveram para falar na sessão desta quarta-feira. Eles tiveram 15 minutos cada para se pronunciar, antes da votação final.

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