CPI da Chapecoense

Presidentes de corretora e seguradora dizem que não sabem nada sobre indenizações da tragédia da Chapecoense

A falta de informações claras sobre o não pagamento das indenizações gerou indignação entre os senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito  que trata da situação das vítimas do acidente com a equipe da Chapecoense e seus familiares. Os parlamentares ouviram nesta terça-feira (3) representantes das seguradoras responsáveis pela aeronave da empresa LaMia, que levava o time e caiu ao se aproximar do Aeroporto de Rio Negro, na Colômbia, em novembro de 2016, deixando 71 mortos.

03/03/2020, 19h18 - ATUALIZADO EM 03/03/2020, 19h18
Duração de áudio: 02:18
CPI sobre a situação das vítimas e familiares do acidente da Chapecoense (CPICHAPE) realiza oitivas, conforme Plano de Trabalho e Requerimentos nº 18 e 20/2020.

À mesa, em pronunciamento, depoente, presidente da Tokio Marine Seguradora S/A, José Adalberto Ferrara.

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Foto: Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Transcrição
LOC: PRESIDENTES DE CORRETORA E SEGURADORA DIZEM À CPI DO SENADO QUE NÃO SABEM NADA SOBRE INDENIZAÇÕES DA TRAGÉDIA DA CHAPECONSE. LOC: FALTA DE CLAREZA DOS DIRIGENTES DA AON (ÊION) E DA TOKIO MARINE IRRITA SENADORES E INDIGNA NETO, UM DO SOBREVIVENTES DO ACIDENTE. REPÓRTER PEDRO PINCER: TÉC: A falta de informações claras sobre o não pagamento das indenizações gerou indignação entre os senadores da comissão parlamentar de inquérito que trata da situação das vítimas do acidente com a equipe da Chapecoense e seus familiares. Os parlamentares ouviram representantes das seguradoras responsáveis pela aeronave da empresa LaMia, que levava o time e caiu ao se aproximar do Aeroporto de Rio Negro, na Colômbia, em novembro de 2016, deixando 71 mortos. O presidente do grupo Aon no Brasil, Marcelo Homburger, declarou que suas informações se limitam às notícias veiculadas na mídia. Ele negou conhecimento prévio de sua empresa sobre as operações da LaMia, inclusive sobre as viagens da empresa aérea pela América do Sul transportando equipes de futebol. Homburger também disse não haver envolvimento da Aon, que tem a matriz na Inglaterra, na alocação do seguro que daria cobertura ao acidente com o avião da Chape. Isso porque, segundo afirmou, a corretora só teria jurisdição no Brasil. (Marcelo Homburger) ”Por ter sido essa operação realizada em outro país, em outra jurisdição. Essas informações não são de nosso conhecimento, elas não chegam para nós aqui na AON Brasil. Portanto, todos esses detalhes não são do nosso conhecimento”. (REP): Postura semelhante foi adotada pelo presidente da Tokio Marine, Adalberto Ferreira. As matrizes das duas empresas em Londres, na Inglaterra, atuaram diretamente na negociação de contrato da seguradora boliviana Bisa Seguros com a Lamia, que permitiu à companhia aérea exercer atividade com uma apólice 12 vezes menor que o acordo anterior. Sobrevivente da tragédia e atualmente supervisor, do clube catarinense, o ex-zagueiro Neto demonstrou indignação com o posicionamento dos dois dirigentes. (Neto) ”A gente tá cansado de tudo isso, e mais uma vez a gente vê o descaso de grandes empresas que ainda dominam o mercado no nosso país. Acho que tá na hora do governo tomar posse de tudo que está acontecendo e dar uma trava nessas empresas porque se não acontecer nada eles vão continuar ganhando dinheiro, fazendo grandes contratos e quando os cidadãos brasileiros forem lesados eles vão lavar as mãos como eles estão fazendo.” (REP): A CPI também ouviu representantes da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, e da Superintendência de Seguros Privados, a Susep. Na próxima reunião, devem ser ouvidos representantes da LaMia Da Rádio Senado, Pedro Pincer.

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