Audiência pública

CDH debate condições de trabalho dos condutores de ambulâncias

07/11/2016, 15h18 - ATUALIZADO EM 07/11/2016, 15h18
Duração de áudio: 02:18
Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) realiza audiência pública interativa para debater "Ambulância: vida ou morte?". 

Em pronunciamento, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait); Jaqueline Carrijo. 

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Transcrição
LOC: A COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DEBATEU NESTA SEGUNDA-FEIRA AS CONDIÇÕES DE TRABALHO E DE SEGURANÇA DOS CONDUTORES DE AMBULÂNCIAS. LOC: CONVIDADOS DEMONSTRARAM PREOCUPAÇÃO COM OS EFEITOS DA PROPOSTA DE LIMITE DE GASTOS SOBRE O ATENDIMENTO MÓVEL DE URGÊNCIA. REPÓRTER ROBERTO FRAGOSO. (Repórter) A situação das ambulâncias no Brasil é, de acordo com seus próprios motoristas, precária. O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Ambulâncias, Alex Douglas, denunciou em audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado que a má condição dos carros e as jornadas de trabalho excessivas são um risco tanto para os trabalhadores da saúde como para pacientes. (Alex Douglas) O negócio para nós condutores de ambulância em todo o Brasil, ele está precário. Inclusive na questão, em alguns estados, trabalho escravo, né? O cara pega um plantão de uma semana, né, com a ambulância dentro de casa. É um absurdo. E a questão do trabalhador morrendo no serviço, a questão dos pacientes morrendo em ambulância, porque as ambulâncias estão em más condições. (Repórter) O senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, demonstrou preocupação com os efeitos da PEC que limita os gastos públicos sobre a saúde, em especial sobre as ambulâncias. (Paulo Paim) Se o orçamento atual não atende nem sequer as ambulâncias, calculem daqui a 20 anos, como eles querem que congele, quando nós não seremos 210 milhões. Seremos o quê? 220 milhões, 230 milhões de pessoas, e com o orçamento congelado. O quadro que se apresenta aí só vai piorar. (Repórter) Luciano Silva, do Conselho Federal de Enfermagem, destacou que os gastos com as ambulâncias sobrecarregam os municípios. Cada unidade avançada, que conta com médico, enfermeiro e condutor, custa entre 100 a 120 mil por mês, contando só o salário da equipe e o combustível. O repasse do Ministério da Saúde chega apenas a 40 mil reais. (Luciano Silva) O restante fica pro gestor na ponta. E aí começa todos esses problemas que nós vemos no dia a dia, não tem manutenção, é realmente com um cadeado a porta. E é o condutor tendo que se virar todo dia quando abre o plantão, ele fala que a ambulância está ruim, e vem a ordem da chefia: “Dá um jeito. O carro não pode parar.” (Repórter) O representante do ministério da Saúde, Luiz Edgar Tolini, disse que o governo federal está autorizando a troca da frota, mas que o gasto deve ser feito de forma escalonada. (Luiz Edgar Tolini) Renovação de frota, vão ser feitas mais 340. Ah, mas é muito pouco, são só 10% da frota. É verdade, certo? Mas já assinei para mais 800 no ano que vem. Vamos conseguir entregar todas? Não sabemos. Mas pelo menos no mínimo esse mesmo quantitativo o ano que vem vai ser renovado. (Repórter) Além de investimento nas ambulâncias, vários debatedores defenderam a necessidade da qualificação dos condutores como forma de aumentar a segurança para as equipes e para os pacientes.

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