Dia Internacional das Mulheres Indígenas é celebrado com sarau literário — Rádio Senado
Cultura

Dia Internacional das Mulheres Indígenas é celebrado com sarau literário

O encontro “Mulheres Indígenas em Cantos e Versos” destacou a produção literária de autoras de diferentes etnias e regiões do país. Durante o evento, foram apresentadas obras de escritoras como Graça Graúna, Márcia Kambeba, Eliane Potiguara e Auritha Tabajara. A escritora Marluce Ribeiro ressaltou as dificuldades enfrentadas por autoras indígenas para conquistar espaço no mercado editorial e publicar seus trabalhos. O sarau foi promovido pelo Comitê Permanente pela Promoção da Igualdade de Gênero e Raça do Senado.

15/09/2026, 19h30 - atualizado em 15/09/2026, 19h43
Duração de áudio: 02:52
Foto: Jean Copetti/Senado Federal

Transcrição
"A minha escrita eu uso para dizer o que me cala. A minha pele é um mapa de histórias colonizadas. As minhas memórias são rios que teimam cobrir abismos. As minhas vozes desejam acordar ladrões de sonhos." Os versos do poema Escrevivências, da escritora potiguar Éva Potiguara, dão o tom da força e da resistência reunidas no Sarau: Mulheres Indígenas encantos de versos". O encontro celebrou o 5 de setembro, data em que se comemora o Dia Internacional das Mulheres e Meninas Indígenas, marco instituído em homenagem à guerreira Aimará Bartolina Sisa, assassinada no século dezoito na luta contra o domínio colonial. A convidada especial do sarau, a escritora e locutora Marluce Ribeiro, lembrou que o acesso ao mercado editorial tradicional ainda é um dos maiores desafios para essas autoras e ressaltou o compromisso de amplificar essas vozes. "Uma honra mais ainda falar sobre a literatura indígena e, obviamente, a literatura feminina. Porque eu que publiquei recentemente, eu sei a dificuldade do mundo editorial, e para indígena isso ainda se faz mais forte, mais difícil. Nessa busca pela bibliografia, a gente verifica que não são muitas autoras indígenas e muitas delas utilizam as redes sociais, blogs, sites para divulgarem os seus trabalhos. Nem todas, infelizmente, conseguem publicar. Então nós temos, sim, todo um legado muito importante que a gente deve às mulheres indígenas." Durante o sarau, foram destacadas trajetórias e obras de escritoras de diferentes regiões e etnias do país. Entre elas: A pioneira Graça Graúna, do povo Potiguara, que aborda a literatura como espaço utópico de sobrevivência; A multiartista amazonense Márcia Kambeba, que combate o apagamento cultural do povo Omágua; a carioca Eliane Potiguara, ativista e fundadora da primeira organização de mulheres indígenas do Brasil; a rondoniense Julie Dorrico, do povo Macuxi; e a cearense Auritha Tabajara, primeira cordelista indígena do país. Marluci relata como foi feita a seleção destas autoras: "Eu me baseei numa obra chamada Guerreiras da Ancestralidade. É uma obra publicada em PDF pelo governo, ou seja, ela está aberta ao público. É uma antologia que reúne justamente autoras indígenas das diferentes idades e das diferentes etnias. E, além disso, blogs e sites de autoras que produzem poesia indígena." Promovido no Senado Federal por meio do Comitê Permanente pela Promoção da Igualdade de Gênero e Raça e de seu Grupo de Trabalho de Afinidade de Raça, o evento foi uma oportunidade para romper com a romantização e valorizar a produção intelectual das mulheres originárias. Sob a supervisão de Ana Beatriz Santos, da Rádio Senado, Joyce Teles.

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