Arquivo do Senado guarda documentos que revelam histórias curiosas do Brasil — Rádio Senado

Arquivo do Senado guarda documentos que revelam histórias curiosas do Brasil

O Arquivo do Senado Federal guarda documentos que ajudam a contar a história do Brasil, entre eles o processo legislativo completo da Lei Áurea, cartas enviadas por crianças ao presidente da República na década de 1980 em defesa das baleias e um abaixo-assinado de quase duas mil mulheres, organizado por Bertha Lutz em 1927. O acervo reúne documentos produzidos ao longo da história do Senado e parte dele pode ser consultada pelo público por meio do Arquivo Digital.

10/09/2026, 11h31
Duração de áudio: 02:40
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Transcrição
Você sabia que uma carta escrita por uma criança pode ajudar a contar a história política do Brasil? No Arquivo do Senado, documentos como esse dividem espaço com registros históricos, como o processo legislativo da Lei Áurea e um abaixo-assinado de mulheres pela conquista do voto.  Entre os documentos preservados está aquele que Alexandre Alves Moreira, arquivista do Senado Federal, considera o mais raro do acervo: o processo legislativo completo da Lei Áurea.  "O documento mais raro eu vejo que é a Lei Áurea, o processo legislativo completo da Lei Áurea, para ser mais exato, ele está custodiado aqui no Arquivo do Senado Federal, porque oficializa uma luta de quase 400 anos pela abolição da escravatura no país." Mas o acervo também guarda registros de histórias que não aparecem necessariamente nos livros de História. Entre os documentos encontrados pelos arquivistas estão cartas enviadas por crianças ao presidente da República, na década de 1980. Para Alexandre, essas cartas mostram que a participação na vida pública também pode ser registrada de formas inesperadas. "A gente se deparou recentemente com as cartas de várias crianças enviadas em 1986, 1987,enviadas para o presidente da República, que eles estavam querendo proteger as baleias do Brasil, então eles estavam muito preocupados com a questão realmente ambiental no país." O Arquivo também preserva registros de uma época em que esse direito de voto feminino ainda era uma reivindicação. Um deles é um abaixo-assinado de 1927, organizado pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e liderado por Bertha Lutz.  "Em 1910 a gente já tinha o Partido Republicano Feminino, em 1922 a própria Berta Lutz já tinha fundado a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, mas em  1927 um projeto aqui do Senado, ele andou. Essa Federação Brasileira pelo Progresso Feminino protocolou esse abaixo-assinado com quase duas mil assinaturas. Eu acho que poucas pessoas sabem assim, da existência desse documento." O acervo mostra que a memória política também é feita de histórias pessoais, reivindicações e mudanças de comportamento da sociedade. São documentos que ajudam a entender não apenas o que foi decidido dentro do Parlamento, mas também as pessoas e os movimentos que fizeram parte dessas transformações. E boa parte desse acervo pode ser consultada pelo público por meio do Arquivo Digital do Senado. Com supervisão de Marcio Maturana, da Rádio Senado, Yasmim Rodrigues. 

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