Senadores debatem criação de centro de terapia para doenças neurodegenerativas
A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT) realizou audiência pública sobre a criação de um centro de terapia celular para tratar doenças neurológicas, como Alzheimer, esclerose múltipla e doença de Parkinson. Os participantes debateram custos sociais e financeiros da falta de investimento em tratamentos inovadores para doenças neurológicas e os desafios a serem superados.

Transcrição
A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática realizou audiência pública para debater a criação de um centro de terapia celular para tratar doenças neurológicas, como Alzheimer, esclerose múltipla e doença de Parkinson.
O pedido da reunião foi do senador Flávio Arns, do PSB do Paraná, que destacou que além dos pacientes, famílias inteiras são afetadas, e lembrou que não existe tratamento efetivo para essas doenças, ressaltando a importância da audiência.
(sen. Flavio Arns) - "a realização desta audiência pública mostra-se fundamental para debater o apoio institucional e político do Senado Federal ao desenvolvimento de terapias celulares regenerativas no Brasil."
Uma das debatedoras, Grace Corrêa Pereira, Juíza do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e paciente, falou sobre a necessidade de se investir nesse tipo de iniciativa, contra a ideia de que isso teria um custo muito alto, e apontou os problemas com a judicialização.
(Grace Pereira) - "quando não conseguimos prevenir, modificar ou retardar a doença, o Estado não deixa de gastar; ele apenas passa a pagar a conta em outros orçamentos e, muitas vezes, depois que a incapacidade já se instalou."
Guilherme Lepski, Professor de Neurocirurgia e Pesquisador da Universidade de São Paulo, apresentou os altos custos da judicialização que chegaram a quase 2 bilhões de reais em 2024 e explicou que o cenário pode ser muito pior nos próximos anos.
(Guilherme Lepski) - "O único jeito de nós escaparmos desse cenário é nós investirmos em tecnologia nacional, em centros de desenvolvimento tecnológico...para que a gente deixe de gastar com patentes internacionais o que pode ser gasto no orçamento do ministério com atendimento populacional para pessoas que têm doenças menos complexas..."
Thiago de Mello Moraes, Coordenador-Geral de Ciências da Saúde, Biotecnológicas e Agrárias do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, falou dos desafios para aproximar as Instituições Científicas Tecnológicas e de Inovação e o setor privado para viabilizar a entrega dos produtos das pesquisas.
(Thiago Moraes) - "A gente tem um distanciamento entre a pesquisa básica e empresas, e é aí que precisam entrar as iniciativas do Governo que aproximem esses dois mundos."
Guilherme Lepski, professor da USP, sugeriu que a facilitação de registro de patentes ou a capitalização de recursos internacionais podem ajudar no cenário de investimentos em relação à terapia celular avançada. Da Rádio Senado, Hermann Kulitz.

