A Linguagem das Mulheres Políticas
A especialista em gestão de comunicação e mestra em Comunicação, Juliana Romão, comenta o livro de sua autoria "A Linguagem das Mulheres Políticas: desmecanizar o pensamento é emancipar a fala pública".

Transcrição
Será que a maneira como falamos pode ser uma forma de exercer poder? E se a fala for de uma mulher, a linguagem seria um aspecto fundamental nas decisões políticas do país?
É sobre essas e outras provocações que o livro “A Linguagem das Mulheres Políticas” conduz a leitora e o leitor a fazerem reflexões sobre a importância da voz. E não qualquer voz, mas a voz feminina audível, confirmada por audiência, como meio de ampliar sua participação nos espaços de decisão.
A autora do livro, Juliana Romão, é jornalista, pesquisadora, professora e escritora brasileira, especialista em gestão de comunicação e mestra em Comunicação pela Universidade de Brasília.
Romão destaca a importância do que ela chama de “desmecanizar o pensamento” para emancipar a fala pública feminina, visto que, segundo ela, tudo o que temos até então foi pensado e narrado por vozes masculinas.
A autora entende que há de se ter um processo prévio, antecessor às técnicas e às produções do que será dito, para repensar a forma de enxergar a realidade, diante do fato de que existe um idioma próprio masculino.
(Juliana Romão) - Então, existe um idioma masculino que projetou o mundo na forma de enxergar as coisas. Quando a gente vai olhar para a Grécia, para essa ocidentalidade tradicional, a gente tem uma história em que as mulheres não apenas não faziam oratória nem discursos, como a ideia do discurso era um atributo absolutamente masculino, era um idioma masculino.
De acordo com Juliana, ao entrarem nos espaços de decisão, as mulheres enfrentam o estranhamento de um idioma que não formularam e um tipo de julgamento que não é feito aos homens sobre vestimenta, aparência e postura antes mesmo do conteúdo que têm a dizer.
(Juliana Romão) - Primeiro, é um idioma novo, porque não foi construído por elas e não foi pensado por elas. E segundo, uma reação das pessoas que estão nesse lugar é em rejeitar a voz feminina, a figura feminina nesses espaços. Então, não dá para usar as mesmas formas de enxergar a realidade para compor o discurso.
Nas palavras da professora, é preciso que todas as mulheres se olhem, se reconheçam, confiram sua agenda política, pensem um pouco sobre o poder das palavras, ampliem seus vocabulários a fim de imprimirem autenticidade, sem que seja preciso ceder à pressão do imediatismo, pois é legítimo pausar alguns segundos, respirar e formular a resposta com tranquilidade e propriedade. Da Rádio Senado, Ruth Gomes.

