Sessenta e nove candidatas disputam vagas ao Senado
O ano de 2026 registrou o maior número de mulheres na disputa eleitoral ao Senado desde 2018, quando havia 62 candidatas às 54 vagas abertas. O número de mulheres ainda é considerado baixo na comparação com os homens: elas representam 22% das candidaturas à Câmara Alta. A pesquisadora de gênero, Isabela Martins, analisa esse quadro e fala sobre os desafios da próxima bancada feminina.

Transcrição
Sessenta e nove candidatas concorrem a uma vaga para o Senado nas eleições de 2026. É o maior número de mulheres na disputa desde 2018, quando havia 62 candidatas às 54 vagas abertas. O número de mulheres ainda é baixo na comparação com os homens: elas representam 22% das candidaturas à Câmara Alta.
Para a advogada e pesquisadora Isabela Martins, que analisou o impacto da violência política de gênero no Senado em sua tese de doutorado, esse percentual era esperado.
(Isabela Martins) "O Senado, tradicionalmente, possui um desenho institucional mais conservador, exigindo uma idade maior, mais avançada para a candidatura. Portanto, existe um estigma de conservadorismo que vigora no Senado, se comparado à Câmara dos Deputados. O que pode ser um peso de habitus para se formar uma barreira à inclusão de grupos que não são dominantes, como, por exemplo, o público feminino."
Mas a novidade de 2026 é que todos os estados têm pelo menos uma candidata à senadora. Alguns, como é o caso de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Norte, têm 5. Isabela atribui essa configuração às diferentes tradições políticas dos estados. Mas ela também vê sinais de mudanças no ar.
(Isabela Martins) "É possível dizer que esse desafio, essa fissura no status quo, ela vem acontecendo também ano a ano. Então a gente vê mais predisposição e mais circulação, principalmente da figura feminina e da palavra feminina."
A Bancada Feminina do Senado tem hoje 15 senadoras. Em cinco anos de atuação conjunta, as parlamentares passaram a ter voz no Colégio de Líderes e assento em espaços de direção, como a Mesa Diretora, além de comandar comissões disputadas. Para Isabela, a principal força da Bancada Feminina é o suprapartidarismo.
(Isabela Martins) "Sendo suprapartidária, é possível superar essas clivagens ideológicas em torno de violência de gênero, saúde da mulher, participação política, direito de família. Isso tudo é muito importante para fazer com que a pauta seja reconhecida como deve ser."
Cinco das atuais senadoras são candidatas em outubro. Para a pesquisadora, a aplicação da lei que combate a violência política de gênero, sancionada em 2021, está entre os principais desafios da próxima bancada.
(Isabela Martins) "Coibindo, por exemplo, interrupções sistemáticas, desqualificações pessoais, agressões em redes sociais dirigidas a congressistas. É necessário traçar uma diferença entre a liberdade de expressão e o direito constitucional à expressão e falas que configuram-se com uma violência política de gênero."
De acordo com o levantamento feito pelo TSE até o dia 24 de agosto, 7.227 brasileiras são candidatas nas eleições de 2026 - 34,88% do total.
Da Rádio Senado, Raíssa Abreu.

