COP 17 na Mongólia debate ações para enfrentar a desertificação no planeta — Rádio Senado
Mudanças Climáticas

COP 17 na Mongólia debate ações para enfrentar a desertificação no planeta

A Mongólia sedia, até 28 de agosto, a COP 17 - Conferência das Partes da ONU para o Combate à Desertificação, fenômeno que atinge um terço do planeta e afeta a sobrevivência de mais de 1,5 bilhão de pessoas. O Brasil já sediou a conferência, em 1999, no Recife; e Carlos Magno, da ONG Centro Sabiá, nos explica a dimensão do problema em nosso país que, segundo ele, tem 18% do território em áreas suscetíveis à desertificação em mais de 1.600 municípios, o que afetaria 39 milhões de pessoas.

18/08/2026, 16h30 - atualizado em 18/08/2026, 19h15
Duração de áudio: 02:50
Foto: UNCCD COP17/Direitos Reservados

Transcrição
A desertificação afeta um terço da superfície da Terra e ameaça a sobrevivência de mais de 1,5 bilhao de pessoas, segundo as Nações Unidas, que alertam: 75% das terras do planeta ficaram mais secas nas últimas décadas, impulsionadas pelo mau uso do solo e pelas mudanças do clima. A 17ª Conferência das Partes (COP17), que acontece ao longo dessa semana em Ulan Bator, na Mongólia, é o principal evento da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação. O lema este ano é  “Restaurando a terra. Restaurando a esperança”; e a escolha da Mongólia como sede ganha um significado especial, já que 77% do território do país asiático sofre grave degradação do solo e seca severa. Carlos Magno, da ONG Centro Sabiá, que atua na difusão da agroecologia entre agricultures familiares de Pernambuco, conta que o Brasil já sediou a terceira conferência, realizada no Recife, em 1999; e nos dá a dimensão do problema em nosso país. (Carlos Magno) "No Brasil, quando a gente fala de desertificação, o nosso olhar se volta principalmente para o semiárido e para a Caatinga. Hoje, aproximadamente, 18% do território brasileiro está em áreas susceptíveis à desertificação, abrangendo mais de 1.600 municípios, cerca de 39 milhões de pessoas. E essa área susceptível cresceu aproximadamente 140 mil quilômetros quadrados entre 2004 e 2020. A Caatinga ocupa uma posição, obviamente, particularmente preocupante: Cerca de 62% dessas áreas susceptíveis à desertificação no país estão em zonas originalmente ocupadas por Caatinga." Carlos nos esclarece também que a desertificação em debate na COP 17 é diferente da imagem clássica de um deserto com dunas, como as do Saara. (Carlos Magno) "Uma área pode continuar tendo vegetação, ter agricultura, criação de animais e ainda sim estar  passando por um processo de desertificação; o que vai acontecendo é uma perda progressiva dessa capacidade daquela terra de sustentar a vida e a produção: o solo perde muita matéria orgânica, fertilidade e capacidade de armazenar água; aumenta a erosão, diminui a cobertura vegetal." A delegação brasileira na COP 17 conta com mais de 100 pessoas, com representantes do governo federal, do Consórcio Nordeste e da sociedade civil; e a conferência prossegue até o dia 28 de agosto, em busca de medidas para ampliar a cooperação e o financiamento de ações de restauração dos solos, gestão das águas e prevenção e enfrentamento das secas. Da Rádio Senado, Cesar Mendes.

Ao vivo
00:00 / 00:00