Comissão dá parecer favorável a mudanças no imposto sobre propriedades rurais
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou o PL 1.648/2024, que muda regras de cobrança do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. O texto busca dar mais segurança ao cálculo do ITR, principalmente na definição do valor da terra nua. Como a votação foi terminativa, o projeto pode seguir para a Câmara se não houver recurso ao Plenário.

Transcrição
O projeto muda as regras de cobrança do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, o ITR.
Esse é o imposto pago por donos de imóveis rurais. O texto busca dar mais segurança ao cálculo, principalmente na definição do valor da terra nua, que serve de base para a cobrança. A terra nua é o valor do imóvel rural sem construções, plantações, pastagens formadas ou outras melhorias feitas pelo proprietário.
Autor da proposta, o senador Jayme Campos, do União de Mato Grosso, afirma que o modelo atual gera insegurança para produtores rurais.
(senador Jayme Campos) "O atual modelo de cálculo do ITR é incoerente e injusto, vamos ser honestos aqui. Hoje, infelizmente, existe uma enorme insegurança jurídica quando da determinação do valor monetário da terra nua. E o preço do mercado, lamentavelmente, às vezes, não é compatível. O problema prejudica muitos produtores rurais do nosso Brasil."
Pela proposta aprovada, o ITR não será cobrado sobre imóvel rural invadido, total ou parcialmente, quando a ocupação impedir o uso econômico da propriedade. Para ter direito à isenção, o contribuinte deverá apresentar boletim de ocorrência e comunicar a situação à Receita Federal. Quando retomar a posse plena do imóvel, também terá que informar o órgão.
O projeto também permite que o contribuinte apresente um contralaudo técnico, válido por cinco anos, quando discordar dos valores usados pela Receita Federal para calcular o valor da terra.
Relator da proposta, o senador Jaime Bagattoli, do PL de Rondônia, ainda defende que o imposto considere apenas o valor da terra nua, e não as melhorias feitas pelo produtor.
(senador Jaime Bagattoli) "Imagine se, lá na frente, os municípios avaliarem a propriedade rural com todos os benefícios, com todas as infraestruturas feitas e Ele passaria a ser cobrado praticamente igual é um IPTU dentro de uma cidade."
O texto aprovado também prevê que municípios conveniados com a União usem prioritariamente a arrecadação do ITR em melhorias no meio rural, como estradas vicinais, conectividade, eletrificação rural e ações voltadas às mulheres do campo.
Da Rádio Senado, Marcella Cunha

