Papel das energias renováveis para desenvolvimento do país é tema de debate
O Plenário do Senado debateu, em sessão temática, as políticas públicas que tratam das energias renováveis no Brasil e na América Latina (RQS 349/2026). Para o secretário nacional de Energia Elétrica, João Daniel de Andrade, governo federal e Congresso devem atuar em sintonia para a transição energética justa. Elbia Gannoum, da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEólica), disse que a energia eólica traz desenvolvimento econômico e social. Na opinião da senadora Tereza Cristina (PP-MS), a transição energética não pode gerar aumento de preços para os consumidores.

Transcrição
Transição energética justa é a mudança de fontes de energia poluentes, como petróleo e carvão, para fontes limpas e renováveis, como solar e eólica, feita com proteção aos trabalhadores dos setores antigos, redução das desigualdades e oferta de energia barata para todos.
No debate sobre energias renováveis no Brasil e na América Latina, João Daniel de Andrade, do Ministério de Minas e Energia, destacou a articulação entre o governo federal e o Congresso para a transição energética justa, citando leis recentes como o programa de aceleração da transição energética, de 2025; e o marco legal do hidrogênio de baixo carbono, de 2024.
(João Daniel de Andrade) "O que nós fizemos foi fortalecer a complementaridade da nossa matriz; e aí tem novas políticas em que nós fizemos a modernização do setor elétrico, esperada há mais de 20 anos."
Natália Oliveira, da Global Renewable Alliance, explicou que as energias renováveis já são 67% da geração na América Latina, mas a eletrificação de atividades cotidianas e produtivas não é prioridade para os governos da região. Segundo Elbia Gannoum, da Associação Brasileira de Energia Eólica, a energia dos ventos é a segunda fonte de geração de grande porte no país e é preciso ver a transição energética como oportunidade de desenvolvimento.
(Elbia Gannoum) "Nos últimos 15 anos, a energia eólica tem trazido um grande desenvolvimento econômico e social em regiões que num passado recente tinham poucas oportunidades econômicas."
Para a senadora Tereza Cristina, do Progressistas de Mato Grosso do Sul, o potencial para geração de energias renováveis não pode nos cegar para a realidade de quem paga a conta.
(senadora Tereza Cristina) "Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o custo da eletricidade já pesa negativamente na competitividade de 83% das indústrias brasileiras. É fundamental evitar que a expansão acelerada dessas fontes gere um aumento desproporcional dos custos da energia para o cidadão e para a atividade produtiva nacional."
Rodrigo Lopes, da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, disse que a cada R$1 de subsídios para fontes renováveis, R$2,50 são destinados a fontes fósseis e esse desequilíbrio atrasa a transição energética justa no país. Da Rádio Senado, Cesar Mendes.

