Tema debatido no Senado, queda do avião da Voepass tem 16 indiciados pela PF
A Polícia Federal concluiu o inquérito que apurou responsabilidades na queda do avião da Voepass em agosto de 2024. Foram indiciadas 16 pessoas, entre funcionários e ex-funcionários da empresa. No Senado, a Comissão de Infraestrutura (CI) questionou representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre a fiscalização da companhia aérea antes e após o acidente.

Transcrição
A Polícia Federal concluiu a investigação que apurou responsabilidades na queda do avião da companhia aérea Voepass em 2024 no município de Vinhedo, no estado de São Paulo.
De acordo com a PF, há indícios de que omissões de pilotos e de pessoal da empresa em solo, incluindo seu diretor-presidente, contribuíram para a ocorrência do acidente, que provocou a morte de 62 pessoas.
Os policiais federais identificaram que, mesmo sendo alertados de que havia problemas no funcionamento de sistema de descongelamento, funcionários da Voepass não realizaram a manutenção necessária. E foi justamente por causa disso que, segundo os investigadores, o avião caiu no dia 9 de agosto de 2024.
No Senado, a Comissão de Infraestrutura chegou a ouvir representantes da Anac para esclarecer a suspensão, pela agência, dos voos da companhia aérea em março de 2025. Na ocasião, o órgão alegou que a Voepass não estaria cumprindo condições de manutenção e redução de atividade impostas após o acidente.
O senador Sergio Moro, do PL do Paraná, questionou se o cenário de omissão nas manutenções envolvendo o acidente era algo recorrente na companhia aérea.
(senador Sergio Moro) "A grande pergunta que se quer fazer é se esses elementos de degradação já não estavam anteriores a essa precariedade - e a ocorrência do acidente sugere que sim - e por que a Anac, a fiscalização da Anac, não detectou esses fatores anteriormente a esse acontecimento".
Bruno Diniz Del Bel, Superintendente de Padrões Operacionais da agência, afirmou à época que a Voepass estava sob vigilância da Anac antes do acidente, mas o cenário que motivou a suspensão das atividades de operação da companhia surgiu somente em fevereiro de 2025, sete meses após a queda do avião.
(Bruno Diniz Del Bel) "Por mais que até tivessem alguns problemas que vinham mais a público, ela estava sendo capaz de corrigir esses problemas. O principal ponto, após o acidente, que levou a gente a detectar essa degradação no sistema foi que a empresa não mais estava sendo capaz de demonstrar a execução desses planos de ação corretiva e a identificação dos problemas".
Agora, se o Ministério Público Federal denunciar à justiça os indiciados pela Polícia Federal, eles responderão pelos crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo e falsidade ideológica.
Da Rádio Senado, Alexandre Campos.

