Comissão debate construção de memorial dos lanceiros negros no Rio Grande do Sul
A Comissão de Direitos Humanos realizou um debate na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul sobre o memorial dos lanceiros negros, que deve ser construído no município gaúcho de Pinheiro Machado (Req 82/2026-CDH). Autor do pedido do debate, o senador Paulo Paim (PT-RS) disse que o memorial vai reforçar o compromisso do Estado brasileiro com a promoção da igualdade racial. Para a deputada estadual Bruna Rodrigues (PSB-RS), o massacre de jovens negros ainda é uma realidade em nosso país.

Transcrição
Os lanceiros negros eram escravos que manejavam com grande habilidade a lança e que integraram o exército republicano na Guerra dos Farrapos, revolta civil que ocorreu no Brasil entre 1835 e 1845, com a promessa de libertação em caso de vitória. Os lanceiros foram derrotados pelo exército imperial em novembro de 1844 e o compromisso de alforria não foi cumprido. Segundo os historiadores, eles foram traídos pelos próprios líderes farroupilhas em busca de um acordo de paz para encerrar o conflito.
Autor do pedido do debate da Comissão de Direitos Humanos, realizado na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul e tendo como tema a construção do memorial dos lanceiros no município gaúcho de Pinheiro Machado, o senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, afirmou que a iniciativa reforça o compromisso do Estado brasileiro com a promoção da igualdade racial.
(senador Paulo Paim) "Centenas tombaram sob as armas do exército imperial. Tentaram ali matar um sonho, uma página da nossa história, mas não conseguiram; porque a memória é mais forte que o esquecimento. Os movimentos negros, os pesquisadores, os quilombolas mantiveram viva essa chama de geração para geração."
Representante da Comissão de Cultura da Câmara, a deputada federal Denise Pessôa, do PT gaúcho, disse que defender o memorial é combater o racismo que, segundo ela, existe na própria Comissão de Cultura.
(deputada federal Denise Pessôa) "Assim como a gente tem tantos memoriais relacionados a outras culturas, a outras nacionalidades, a gente precisa reforçar a necessidade de trazer através do memorial dos lanceiros negros essa história que é apagada."
Para a deputada estadual Bruna Rodrigues, do PSB do Rio Grande do Sul, o massacre dos lanceiros negros traídos na revolução farroupilha ainda é uma realidade em nosso país.
(deputada estadual Bruna Rodrigues) "Hoje, a cada 12 minutos matam um jovem negro e eu tenho dito que, daqui a uma década, nós vamos andar na rua e nós vamos ver a ausência de jovens negros. Isso fala muito sobre essa luta que ainda é presente e de uma reparação que ainda não aconteceu".
Para o deputado estadual Miguel Rossetto, do PT gaúcho, dar visibilidade à memória do massacre é construir um futuro sem esconder aspectos "não autorizados" do processo histórico. Da Rádio Senado, Cesar Mendes.

