Especialistas discutem medidas para prevenção da cegueira evitável no Brasil
A prevenção da cegueira evitável no Brasil foi discutida pela Comissão de Assuntos Sociais (REQ 63/2026-CAS). Autor do pedido do debate, o senador Dr. Hiran (PP-RR) defende a oferta de consultas oftalmológicas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). E os especialistas convidados apoiam medidas para priorizar as políticas focadas na infância, como a detecção precoce de doenças oculares em recém-nascidos, e o combate a desigualdades no acesso aos cuidados.

Transcrição
Segundo um estudo da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB), mais de 28 milhões de brasileiros sofrerão perda de visão até 2030. No debate sobre cegueira evitável realizado pela Comissão de Assuntos Sociais, a importância do atendimento às crianças, visando a correção precoce dos problemas oculares; além da garantia de mais equidade no acesso à saúde ocular, especialmente para populações rurais e indígenas, foram apontados como caminhos para enfrentar o problema.
Autor do pedido do debate e médico oftalmologista, o senador Doutor Hiran, do PP de Roraima, afirmou que é fundamental a oferta de consultas oftalmológicas nas Unidades Básicas de Saúde, as UBSs.
(senador Dr. Hiran) - "A gente precisa colocar a oftalmologia nos núcleos de saúde da família. Eu não vejo razão para a oftalmologia estar na média e alta complexidade, quando a gente precisa dar acesso às pessoas nos rincões deste país, onde, às vezes, a gente não tem um hospital, mas a gente tem uma UBS."
Camila Carloni, do Ministério da Saúde, defendeu políticas voltadas para a infância e a importância da detecção precoce de problemas oculares em recém-nascidos.
(Camila Carloni Gasparro) "Nas maternidades hoje, um dos testes que é realizado é exatamente o teste do olhinho. Que é um exame que é feito ali no recém-nascido, nos primeiros dias de vida, exatamente com o intuito de a gente fazer a detecção precoce e poder tratar, se for necessário, o mais rápido possível, essas crianças."
Mauro Goldbaum, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, pediu urgência no enfrentamento de doenças como catarata e glaucoma; e Victor Pavarino, da Organização Pan-Americana da Saúde, alertou sobre o alto custo econômico da cegueira no mundo e apontou desigualdades no acesso aos cuidados oculares.
(Victor Pavarino) "A OMS estima que duas em cada três pessoas em países de baixa renda precisam de óculos, mas não têm acesso a esses óculos; e globalmente, uma de cada duas pessoas que precisa de cirurgia de catarata não tem acesso a esse procedimento."
O líder indígena Ewésh Yawalapiti Waura, da terra indígena do Xingu, falou das dificuldades enfrentadas em aldeias situadas nas áreas remotas do país e da importãncia de políticas públicas permanentes voltadas para essa população. O debate fez parte da preparação para a Cúpula da Saúde Ocular, agendada para novembro, em Antigua e Barbuda, no Caribe, evento global destinado a estabelecer estratégias de erradicação da cegueira evitável. Da Rádio Senado, Cesar Mendes.

