Lei reconhece como Herói da Pátria procurador assassinado após denunciar corrupção
O procurador Pedro Jorge de Melo e Silva teve o nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A lei (Lei 15.446/2026) foi sancionada pelo vice-presidente da República Geraldo Alckmin, no exercício da Presidência. Pedro Jorge foi assassinado em 1982, aos 35 anos, depois de denunciar o Escândalo da Mandioca, esquema de fraudes contra o Banco do Brasil em Pernambuco. A proposta teve origem no Senado (PL 3663/2023), por iniciativa da senadora Teresa Leitão (PT-PE).

Transcrição
Pedro Jorge de Melo e Silva tinha 35 anos quando foi morto a tiros em Olinda, em Pernambuco. Três meses antes, ele havia denunciado autoridades, empresários e servidores públicos envolvidos em um esquema de fraudes contra o Banco do Brasil.
Mais de quatro décadas depois, o nome do procurador passa a integrar o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, a partir de uma lei sancionada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
A proposta nasceu no Senado, de um projeto da senadora Teresa Leitão, do PT de Pernambuco.
O caso que levou à morte de Pedro Jorge ficou conhecido como Escândalo da Mandioca que ocorreu entre 1979 e 1981, como explica a senadora Zenaide Maia, do PSD do Rio GRande do Norte.
“Militares, servidores públicos, empresários e políticos se passaram por produtores rurais para conseguir empréstimos no Banco do Brasil para plantação de mandioca. Posteriormente, alegavam que a seca teria destruído toda a plantação para, assim, receberem o seguro agrícola. Mais de 300 empréstimos foram feitos e este esquema desviou o equivalente a R$ 30 milhões, em valores atuais.”
Pedro Jorge denunciou oficiais da Polícia Militar, um deputado e outras pessoas envolvidas no desvio de recursos. Pouco tempo depois, foi assassinado a tiros.
A viúva dele, Maria das Graças Viégas, contou que só soube das ameaças depois da morte do procurador.
“Eu fiquei muito abalada quando aconteceu, porque ele nunca chegou junto de mim para dizer que estava sofrendo ameaça. Eu só vim saber das ameaças horrorosas depois que ele morreu. As pessoas que eram mais próximas dele no trabalho, alguns familiares dele lá de Maceió, o Abad e do Mosteiro de São Bento, mas eu mesma, a esposa dele, ele poupou até o fim.”
O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria é destinado ao registro de brasileiros e brasileiras que dedicaram a vida em defesa do país e da democracia.
Com supervisão de Maurício de Santi, da Rádio Senado, Henrique Nascimento.

