Saúde da população de rua ganha reforço no SUS e atenção no Senado
O Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua no SUS. A medida prevê atenção primária, saúde mental, redução de danos, equipes de Consultório na Rua e plano operativo em até 180 dias. No Senado, o tema também aparece no projeto que cria o Estatuto da População em Situação de Rua, em análise na Comissão de Constituição e Justiça (PL 1.635/2022).

Transcrição
O atendimento de saúde para pessoas em situação de rua vai ganhar novas diretrizes no SUS. O Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua.
A ideia é levar o cuidado para mais perto de quem vive nas ruas, com ações de atenção primária, saúde mental, redução de danos, saúde bucal, atendimento às mulheres e acompanhamento depois de internações.
Para quem vive essa realidade, o acesso ao cuidado pode fazer diferença no momento em que vínculos familiares, emprego e moradia já foram perdidos. Rogério Barba passou anos vivendo em situação de rua. Hoje, em Brasília, ele ajuda no acolhimento de outras pessoas e lembra como chegou a essa situação.
(Rogério Barba) "E aí eu me envolvi com o álcool, eu conheci o crack em 1989. E o crack fez, apesar de eu não ter parentes, eu tinha muitos amigos bons. Só que o crack fez e o álcool fez eu perder os vínculos. Eu perdendo o vínculo com essas pessoas automaticamente que me sobrou foi a rua. Perdi o emprego e eu retornei a morar na rua em 1989 mesmo."
No Senado, o tema aparece em um projeto que cria o Estatuto da População em Situação de Rua. O senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, afirmou que o objetivo é garantir condições mínimas de dignidade.
(senador Paulo Paim) "Para garantir a dignidade básica das pessoas, o texto atribui ao poder público assegurar o acesso à alimentação gratuita, água potável, itens de higiênica básica, banheiros públicos e, naturalmente, a alimentação é fundamental."
Autor da proposta, o senador Randolfe Rodrigues, do PT do Amapá, defende que o poder público atue tanto no acolhimento quanto no combate à violência contra quem vive nas ruas.
(senador Randolfe Rodrigues) "O poder público tem que tomar as medidas necessárias para dar guarida e para acolher as pessoas de rua e, ao mesmo tempo, criminalizar aqueles que detestam pobres, aqueles que ofendem e atacam os pobres."
O projeto que cria o Estatuto da População em Situação de Rua está em análise na Comissão de Constituição e Justiça. Com supervisão de Maurício de Santi, da Rádio Senado, Henrique Nascimento.

