Relatório fiscal da IFI de junho aponta incertezas devido ao preço petróleo
Relatório de Acompanhamento Fiscal de junho da Instituição Fiscal Independente (IFI) aponta tendência à insustentabilidade da dívida pública, devido ao impacto fiscal do preço do petróleo, motivado pelos impasses nos conflitos no Oriente Médio. A IFI é um órgão de assessoramento técnico vinculado ao Senado. Seu objetivo principal é aumentar a transparência das contas públicas, monitorando o orçamento, projetando cenários macroeconômicos e avaliando a sustentabilidade da dívida e das regras fiscais.

Transcrição
O Relatório de Acompanhamento Fiscal do mês de junho elaborado pela Instituição Fiscal Independente, IFI, aponta que o choque nos preços do mercado internacional de petróleo, motivado pelos impasses nos conflitos no Oriente Médio, traz novos desafios macroeconômicos e fiscais para o país.
Segundo a entidade, a instabilidade em alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo pressiona a inflação e prejudica o poder de compra das famílias, o que deve levar o Banco Central a manter uma política de juros altos por mais tempo. O Brasil, hoje, já pratica os maiores juros reais do mundo, modelo que visa combater a elevação dos preços, mas tende a esfriar a atividade econômica. Assim, o relatório prevê que a inflação feche o ano em 5,0%, resultado acima do teto da meta pretendida, e que a taxa Selic, referência para os juros, encerre 2026 em 14,0% ao ano, zero vinte e cinco ponto percetual abaixo da atual.
O diretor da IFI, Alexandre Andrade, explicou como todo esse processo acontece na prática, dando o exemplo do diesel.
O preço mais alto tende a afetar a inflação por meios diretos e indireto. O diesel mais alto vai afetar fretes, custo de transporte de mercadorias e isso tudo é repassado por pros preços finais dos produtos. Então, a depender dos desdobramentos do conflito, se o preço do petróleo ficar mais alto e por mais tempo, isso tende a a ser muito ruim pros índices de inflação.
Apesar desse aspecto negativo, o Brasil pode se beneficiar em outro ponto, ao menos no curto prazo. É que o país é um dos grandes produtores de petróleo, o que aumentará, junto com os preços, os dividendos pagos pela Petrobrás ao Governo e a arrecadação de impostos. Andrade falou como isso se torna vantagem.
O ganho de arrecadação que o governo vai conseguir eh vai ser muito benéfico pro cumprimento da meta de resultado primário de 26. Então, agora nas nossas, de acordo com as nossas estimativas, o governo cumpre a a meta fiscal de 2026 com alguma folga ainda em relação ao limite inferior do intervalo.
Em consonância com os relatórios anteriores, o RAF desse mês reforçou a preocupação com o aumento constante da dívida pública, que, segundo o documento, pode chegar a níveis insustentáveis em 2036. Da Rádio Senado, Douglas Castilho.

