Brasileira que inventou caneta detectora de câncer defende adoção da tecnologia pelo SUS — Rádio Senado
Audiência Pública

Brasileira que inventou caneta detectora de câncer defende adoção da tecnologia pelo SUS

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) promoveu audiência pública com a presença da pesquisadora brasileira Lívia Eberlin, que desenvolveu a "MasSpec Pen", caneta que identifica, em mais ou menos 10 segundos, células cancerígenas. A promessa é de cirurgias mais precisas, redução do tempo de recuperação dos pacientes, da necessidade de novas operações e também de quimio e radioterapias complementares. A senadora dra. Eudócia (PSDB-AL) defendeu celeridade na incorporação da nova tecnologia ao SUS.

11/06/2026, 14h34 - atualizado em 11/06/2026, 14h47
Duração de áudio: 03:08
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Transcrição
A "MasSpec Pen" é uma caneta que identifica, em mais ou menos 10 segundos, células cancerígenas. Testada em cerca de quatrocentas e cinquenta cirurgias para a retirada de 12 tipos de tumores, a tecnologia permitiu uma operação precisa, sem retirada de mais tecido do que o necessário; o que reduziu o tempo de recuperação dos pacientes, a necessidade de novas operações e também de quimio e radioterapias complementares. A invenção é da cientista brasileira Lívia Schiavinato Eberlin, formada pela Unicamp e que atua hoje na Baylor College of Medicine, em Houston, no estado americano do Texas. Em audiência na Comissão de Assuntos Sociais, ela explicou aos senadores como a caneta funciona: (dra. Lívia Eberlin) "O cirurgião toca [a caneta] no tecido, a gotinha faz a extração das moléculas, que são características do câncer e do tecido normal, a gente transfere para um espectrômetro de massas, que é um equipamento científico que, daí, lê essa composição molecular e a gente tem um gráfico com as moléculas que foram lidas. Em 10 segundos, dentro do corpo humano e sem causar nenhum dano ao paciente. As evidências clínicas e científicas indicam que a caneta, realmente, pode mudar tudo nas cirurgias do câncer." No Brasil, o Hospital Albert Einstein é o primeiro fora dos Estados Unidos a conduzir testes clínicos em pacientes com cânceres de pulmão e tireóide. Lívia Eberlin defendeu a incorporação da tecnologia ao Sistema Único de Saúde: (dra. Lívia Eberlin) "Todos os dias a gente recebe uma mensagem perguntando 'Lívia, quando que estará disponível no SUS?' Eu tenho uns comentários, aqui, do Instagram: 'Olha, eu ia até republicar o seu estudo mas, infelizmente, só fica com os ricos essa tecnologia, não abrange o SUS e a grande demanda'. O acesso à tecnologia de ponta tem que ser pra todos." A representante do Ministério da Saúde, Cecília Farinasso, explicou que a disponibilização de novas tecnologias na rede pública obedece a procedimentos que envolvem a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, e a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, Conitec. Há um prazo de 180 dias para a apreciação inicial, onde se levam em conta dados clínicos e de viabilidade econômica. Depois, passa-se à consulta pública e à análise final. A Conitec recomenda ou não a adoção da tecnologia e a decisão final cabe ao Ministério da Saúde. A senadora dra. Eudócia, do PSDB de Alagoas, que presidiu o debate, defendeu rapidez nas análises: (sen. dra. Eudócia) "Para que a gente possa avançar nessa questão dessa tramitação de trazer a caneta para todos os hospitais do nosso querido Brasil e especialmente os hospitais que são públicos, que são totalmente sul." Além das análises do uso da caneta em cirurgias oncológicas, também estão sendo feitos estudos sobre sua utilização na fase de diagnósticos. Como a tecnologia detecta as células doentes com um toque da caneta, em tese, não seriam necessárias, nesses casos, retiradas de parte dos tecidos para biópsias, em casos de cânceres de boca e pele, por exemplo. Da Rádio Senado, Marcela Diniz.

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