Senadores repercutem classificação de facções como terroristas pelos EUA — Rádio Senado
Cenário internacional

Senadores repercutem classificação de facções como terroristas pelos EUA

Senadores repercutiram a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Sergio Moro (PL-PR), disse que a medida pode facilitar o congelamento de bens das facções no exterior. Já o presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), Nelsinho Trad, do PSD de Mato Grosso do Sul, defendeu cautela para evitar riscos à soberania nacional. Trad informou que pretende discutir os efeitos da medida no colegiado.

29/05/2026, 19h17 - atualizado em 29/05/2026, 19h36
Duração de áudio: 03:03
Fotos: Waldemir Barreto/Agência Senado

Transcrição
A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos abriu uma discussão entre senadores sobre os efeitos da medida para o Brasil. Para o senador Sergio Moro, do PL do Paraná, a decisão pode facilitar o bloqueio de bens das facções no exterior e ampliar a cooperação internacional contra o crime organizado. (sen. Sérgio Moro) - Uma vitória diplomática pro Brasil. Essa classificação vai ter um impacto principalmente na facilitação do congelamento dos ativos, ou seja, seja dos bens dessas organizações terroristas que muitas vezes são mantidas no exterior. E a utilização da nomenclatura terrorista abre as portas paraa cooperação internacional e também para que esses ativos sejam bloqueados mais rapidamente. A decisão também tem sido comemorada por parlamentares da oposição, como o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, que durante viagem aos Estados Unidos,  pediu ao governo americano que classificasse PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Já o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, senador Nelsinho Trad, do PSD de Mato Grosso do Sul, afirmou que toda medida que ajude a melhorar a segurança pública será apoiada. Mas defendeu que o Congresso discuta os limites da decisão para evitar interferência externa. (sen. Nelsinho Trad) - Tudo que vier no sentido de melhorar a segurança pública para as famílias brasileiras terá o nosso apoio. Ninguém aqui quer passar a mão em cima de cabeça de bandido que gera intranquilidade na sociedade brasileira. Agora, usar esse mecanismo para poder ferir a soberania nacional, isso nós não vamos também aceitar e não vamos admitir. Nelsinho Trad informou que pretende promover uma discussão sobre o tema na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e na Comissão Mista de Controle da Atividade de Inteligência sobre os efeitos diplomáticos, econômicos e jurídicos da medida. Entre os pontos em debate, estão sanções, bloqueio de bens e cooperação internacional contra redes ligadas às facções criminosas, além do impacto sobre bancos e empresas. Nas redes sociais, outros senadores também se manifestaram. Para o senador Márcio Bittar, do PL do Acre, o governo não deve falar em soberania nacional quando, segundo ele, a prioridade deve ser defender o Brasil, e não as facções criminosas. Já o senador Magno Malta, do PL do Espírito Santo, escreveu que as facções brasileiras deixaram, há muito tempo, de atuar apenas no tráfico de drogas e passaram a exercer controle territorial, influência econômica e capacidade de intimidação em larga escala. O tema já passou pelo Senado durante a análise do projeto Antifacção, que endurece o combate a organizações criminosas. Na ocasião, os senadores discutiram a tentativa de equiparar facções e milícias a organizações terroristas, mas a proposta não foi aprovada.   Da Rádio Senado, Marcella Cunha

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