Semana da Dignidade Menstrual: dores intensas afetam vida escolar e podem indicar endometriose — Rádio Senado
Saúde Menstrual

Semana da Dignidade Menstrual: dores intensas afetam vida escolar e podem indicar endometriose

28 de maio foi o Dia Internacional da Dignidade Menstrual e uma pesquisa do Instituto Alana e do Instituto Equidade.info mostrou que quatro em cada 10 estudantes faltam aulas todo mês por conta de dores mentruais. Doenças intensas podem indicar quadros complexos como a endometriose e, para aperfeiçoar o atendimento no SUS de casos assim, o Senado debate o projeto de lei (PL) 1069/2023. A proposta foi aprovada na Comissão de Direitos Humanos e agora está na Comissão de Assuntos Sociais.

29/05/2026, 14h50 - atualizado em 29/05/2026, 15h40
Duração de áudio: 02:45
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Transcrição
(Yamana dos Santos) "Dores menstruais fazem parte da minha vida há alguns anos já e sempre atrapalham a minha rotina. Eu já deixei de ir trabalhar porque eu não conseguia nem levantar da cama, já faltei aula ou então já tive que sair de sala de aula porque eu não aguentava nem ficar sentada, que dirá prestar atenção em algo? Eu já escutei diversas vezes que era frescura minha ou que era só tomar um remédio que passava, mas quem sofre sabe que não é nada disso. E eu sinto que quem menstrua não tem muito apoio e empatia de ninguém nesse sentido, sabe?" Esse depoimento que você acaba de ouvir é da Yamana dos Santos, 29 anos, professora de música em Brasília. O que ela diz tem tudo a ver com a pesquisa dos Institutos Alana e Equidade.info, segundo a qual 40% das estudantes brasileiras faltam aulas todo mês por causa de dores menstruais; e 6 em cada 10 sentem cólicas que exigem uso de medicação. Dores de cabeça, no corpo, cansaço e medo de vazamento do fluxo também impactam a rotina escolar. Falta de banheiro ou produtos de higiene foram citados como motivos de deixar de ir às aulas por 8,2% das entrevistadas. O estudo mostrou ainda que, apesar dos números comprovarem que essa questão é um problema coletivo, as faltas ainda são tratadas simplesmente como decisão pessoal; e as dores menstruais - mesmo as intensas - são normalizadas ou tratadas com desdém. Só que a intensidade das cólicas pode sinalizar quadros mais complicados, como a endometriose. A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou, em 2025, um projeto com diretrizes para o tratamento integral dessa condição no Sistema Único de Saúde. A relatora foi a senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal. Ela cita dados da Organização Mundial da Saúde para destacar o tamanho do problema:  (sen. Damares Alves) "A endometriose afeta cerca de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva em todo o mundo. Apesar da alta prevalência, a doença continua sendo subdiagnosticada e subtratada, com impacto direto na saúde física e mental, na qualidade de vida e na produtividade das mulheres." O projeto seguiu para análise da Comissão de Assuntos Sociais e aguarda parecer da senadora Daniella Ribeiro, do Progressistas da Paraíba. O Instituto Alana, que divulgou os dados sobre o impacto das dores menstruais na sala de aula, acaba de lançar a campanha Endométricas.com. No vídeo de divulgação, uma provocação em forma de rima:   trecho: "Você sente essa dor? /Investem bilhões na disfunção masculina / mas nada fazem / quando é doença de menina." Para saber mais acesse endometricas.com.  Da Rádio Senado, Marcela Diniz.

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