El Niño deste ano exigirá melhor preparo do Brasil, alertam especialistas
O fenômeno climático El Niño, que no Brasil costuma provocar enchentes no Sul e secas severas no Norte e Nordeste, deve ser mais forte este ano. Por isso, o Senado reuniu nesta quinta-feira (28) autoridades e especialistas para debater prevenção. O senador Esperidião Amin (PP-SC), que presidiu o debate, disse que as sugestões apresentadas serão incorporadas a um livro que reúne ideias de outra sessão, em 2023, quando o Brasil sofria consequências de desastres climáticos.

Transcrição
Enchentes e deslizamentos de terra nos estados do Sul, secas severas no Norte e Nordeste. O fenômeno climático El Niño pode ter consequências opostas no Brasil, dependendo da região. Ele é causado pelo aquecimento irregular das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, mudando a circulação atmosférica global e os padrões de chuva e temperatura. O Senado fez uma sessão de debates com especialistas e representantes da União, de estados e de municípios. O climatologista Carlos Nobre alertou que para este ano se espera uma intensidade maior.
(Carlos Nobre) "Agora, em maio, junho, julho, já temos 92% de probabilidade de começar um El Niño e, em outubro, novembro e dezembro deste ano, a probabilidade é 98% desse El Niño ser forte ou muito forte. Então nós temos que nos preparar muito".
O senador Hamilton Mourão, dos Republicanos do Rio Grande do Sul, disse que é preciso aprimorar o Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil, de 2012, tornando obrigatórias simulações anuais nos municípios.
(senador Hamilton Mourão) "Eu passei a minha vida inteira fazendo plano - a vida militar é assim. E, se um plano não é testado e há um adestramento para isso, ele não funciona, a gente não vê os erros que aquele plano pode cometer. E, como diria o grande filósofo Mike Tyson, todo plano não resiste ao primeiro murro na cara. Se não treinar, nós não vamos conseguir executar na hora em que a catástrofe acontecer".
O senador Hermes Klann, do PL de Santa Catarina, acredita que o trabalho do Senado para fortalecer o planejamento dos municípios em áreas de risco é fundamental, mas não é suficiente.
(senador Hermes Klann) "Muitos municípios brasileiros, especialmente os menores, não têm estrutura técnica, equipe permanente ou capacidade de acessar recursos federais com rapidez. O município sofre a tragédia, mas o sistema público só chega depois de a água baixar. Enquanto isso, seguimos repetindo o ciclo desastre - reconstrução - novo desastre".
A importância da conscientização da população foi ressaltada pelo jornalista Fernando Gabeira, que já foi deputado federal.
(Fernando Gabeira) "Faz muito tempo que eu penso na necessidade de nós avançarmos na preparação da sociedade, na preparação das áreas de risco, dos setores que são mais atingidos, para que eles possam realmente reagir também, junto com o governo e junto com a defesa civil".
A sessão de debates foi pedida por todos os líderes partidários, com primeira assinatura de Esperidião Amin, do PP de Santa Catarina.
(sen Esperidião Amin) "Eu próprio poderia trazer a contribuição da experiência, pelo que vivi como prefeito de Florianópolis e especialmente como governador do estado nos anos de 1983 e 1984, com enchentes que, lamentavelmente, fizeram parte da nossa história, fazem parte da nossa memória e das medidas de prevenção e contenção que temos adotado tanto em Santa Catarina quanto em todos os estados em todas as unidades federadas do Brasil".
Esperidião Amin informou que as sugestões apresentadas na sessão vão ser incorporadas a um livro que reúne ideias de uma outra sessão do Senado, em 2023, quando o Brasil, e especial os estados do Sul, sofriam consequências de desastres climáticos.
Da Rádio Senado, Marcio Maturana.

