Diagnóstico precoce do glaucoma pode evitar cegueira, ressaltam especialistas
As Comissões de Fiscalização e Controle (CTFC) e de Assuntos Sociais (CAS) debateram nesta quarta-feira (27) o glaucoma no Brasil, nas linhas de diagnóstico e tratamento. A doença, que tem o dia 26 de maio para marcar ações de combate no Brasil, atinge o nervo óptico e é uma das principais causas de cegueira irreversível em todo o mundo. Ela não tem cura, mas é controlável com diagnóstico precoce, feito por meio de exames oftalmológicos.

Transcrição
O glaucoma é uma doença do nervo óptico, e uma das principais causas de cegueira irreversível em todo o mundo. No Brasil, é estimado que 1 milhão e 700 mil pessoas vivam com a condição, mas muitas nem sabem, já que os sintomas não são percebidos nas fases iniciais.
Por esse motivo, as Comissões de Fiscalização e Controle e de Assuntos Sociais debateram o tema com especialistas, numa tentativa de trazer o assunto ao Legislativo.
A principal característica do glaucoma é o aumento da pressão ocular. Isso provoca a quebra de conexão das fibras ópticas com o cérebro, que processa as imagens da visão. Ela não tem cura, mas é controlável com diagnóstico precoce.
O primeiro sintoma é a perda de visão periférica. Sem tratamento, o paciente pode ter a visão completamente comprometida, como explicou o vice-presidente da Sociedade Latino-americana de Glaucoma, Jair Giampani Júnior.
(Jair Giampani Júnior) "Se o paciente for aguardar, então, apresentar uma perda da visão central para daí procurar o médico, é sinal que já está muito tarde, é sinal de que ele já perdeu uma quantidade absolutamente significativa de fibras do nervo óptico e aí sim o risco de cegueira acaba sendo um risco maior."
O diagnóstico é feito com exames oftalmológicos. O senador Dr. Hiran, do PP de Roraima, que é médico oftalmologista, disse que a detecção ainda é um desafio porque a especialidade não está na Atenção Primária à Saúde do SUS.
(Senador Dr. Hiran) "A dificuldade que nós temos é porque a nossa oftalmologia não está nos núcleos de saúde da família. Está na média e alta complexidade e isso dificulta muito o acesso das pessoas a um acompanhamento de qualidade na atenção primária, porque nós não estamos na atenção primária, isso é um grande desafio."
A diretora do Departamento de Atenção Especializada e Temática, Carmen Cristina Moura Dos Santos, explicou que o paciente passa pela identificação de fatores de risco até chegar à Atenção Especializada, para fechar o diagnóstico. Além disso, ela informou que o Ministério da Saúde tem carretas que levam o atendimento oftalmológico onde há defasagem de profissionais.
Os especialistas ainda apontaram que o glaucoma é mais prevalente em pessoas com mais de 40 anos e atinge públicos vulneráveis, como mulheres, indígenas e pessoas negras. Isso, com a desigualdade regional, dificulta o acesso ao diagnóstico e tratamento. 26 de maio foi o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma.
Sob supervisão de Samara Sadeck, da Rádio Senado, Lana Dias.

