IFI elabora relatório que diverge das previsões do governo para 2027 — Rádio Senado
Instituto Fiscal Independente

IFI elabora relatório que diverge das previsões do governo para 2027

O relatório de Acompanhamento Fiscal da Instituição Fiscal Independente (IFI) diverge das previsões do governo para 2027. Enquanto o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) prevê redução da dívida, a instituição fiscal espera cenário mais pessimista.

22/05/2026, 15h42 - atualizado em 25/05/2026, 14h51
Duração de áudio: 02:31
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Transcrição
O novo Relatório de Acompanhamento Fiscal, elaborado pela Instituição Fiscal Independente, IFI, aponta divergências frontais entre as projeções feitas pela equipe econômica do Governo e os parâmetros dos analistas da entidade. No Projeto de Lei Orçamentária para 2027 apresentado pelo executivo, o governo prevê metas ambiciosas, com estimativas de superávits primários crescentes e a estabilização seguida de queda da dívida bruta a partir de 2030. A instituição, no entanto, aponta na direção de déficits sucessivos por pelo menos dez anos. Segundo a IFI, um dos motivos da divergência é o crescimento estrutural das despesas impulsionado pelo avanço dos gastos com os benefícios da Previdência Social. O relatório revela que a digitalização por meio do aplicativo Meu INSS, acelerou de maneira inédita o fluxo do auxílio por incapacidade temporária, o antigo auxílio-doença. Com o objetivo de reduzir a fila do benefício, o modelo substituiu parte das perícias presenciais por análises remotas de atestados médicos, fazendo as concessões anuais dobrarem de 1,9 milhão em 2022 para 3,9 milhões em 2025. O diretor da IFI, Alexandre Andrade explicou que esse é apenas um dos elementos de discordância com o governo. (Alexandre Andrade) "Em relação às projeções o que nós identificamos foi um relativo otimismo e tanto na grade de parâmetros macroeconômicos quanto depois nas projeções fiscais. Isso inclui receitas, despesas, o resultado primário e a própria trajetória da dívida bruta no nos próximos anos". Por outro lado, o documento aponta que o cenário geopolítico global trouxe um fôlego extra e inesperado para o caixa do governo federal. Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz causaram uma alta nos preços internacionais do petróleo. O conflito gerou efeitos vantajosos imediatos para a balança comercial e para o recolhimento de tributos no Brasil já que o país é um grande exportador da matéria-prima.  Um alerta da IFI, no entanto, indica que essa mesma instabilidade no Oriente Médio pode fazer com que o Banco Central mantenha a taxa de juros alta por mais tempo, o que esfriaria a atividade econômica do país e contribuiria para o aumento da dívida. Da Rádio Senado, Douglas Castilho.

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