Mara Gabrilli cobra explicações ao MEC por atraso de material em braille
A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) apresentou requerimentos que cobram explicações ao Ministério da Educação e ao Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE) sobre a informação de que menos de 40% do material em braille teria sido entregue aos estudantes cegos da rede pública no atual ano letivo. A parlamentar apresentou sugestões para que o problema seja evitado.

Transcrição
O atraso do Governo na entrega de livros em braille para alunos da rede pública gerou reação no Senado Federal. A senadora Mara Gabrilli, do PSD de São Paulo, protocolou requerimentos cobrando respostas do Ministério da Educação e do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação, FNDE, a respeito da informação de que o ministério teria entregado menos de 40% do material previsto para os estudantes cegos da rede pública no atual ano letivo.
A parlamentar propôs, ainda, medidas para garantir o planejamento antecipado do orçamento e evitar um novo déficit na entrega de materiais didáticos nos próximos anos. Uma das sugestões foi a de que sejam iniciados imediatamente os procedimentos necessários para garantir que os materiais em braille-tinta sejam entregues aos estudantes cegos no início do ano letivo de 2027.
Além de criticar o atraso, Mara Gabrilli alertou para as graves consequências da falta desse material na vida escolar dos alunos:
(sen Mara Gabrilli) - Trata-se de negligência, descaso, displicência com o direito à educação dessas crianças e adolescentes. [...] A acessibilidade não pode funcionar no improviso e se quiser fazer. Quando o livro chega meses depois, o aluno já ficou para trás. Braile não é material complementar, é a base da alfabetização de quem não enxerga. Sem ele não existe inclusão de verdade.
E por que o livro físico é tão insubstituível para quem não enxerga? A resposta está na forma como o sistema braille funciona. Joana Vasconcelos, que atua no setor de braille da gráfica do Senado e é ex-educadora focada na alfabetização de professores no sistema braille, explica que o processo de aprendizado tem particularidades importantes.
(Joana Vasconcelos) - A escrita é feita de uma forma e a leitura é feita de outra. Tem uma diferença. A escrita, ela é feita da direita para a esquerda na reglete de mesa. Quando a gente vai iniciar a alfabetização do aluno, a gente ensina ele ponto a ponto porque o braile é uma unidade fundamental universal. Por exemplo, vocês enxergem tinta, faz à caneta, a letra e o a pessoa cega, ela vai conhecer pelo tato.
De acordo com o Censo Escolar, o Brasil tem hoje mais de 91 mil estudantes com deficiência visual matriculados na educação básica. Da Rádio Senado, Douglas Castilho.

