Galípolo defende atuação do BC no caso Master e pede mais autonomia para a instituição — Rádio Senado
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Galípolo defende atuação do BC no caso Master e pede mais autonomia para a instituição

A audiência da Comissão de Assuntos Econômicos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durou 5 horas e tratou de diversos temas, entre eles, o escândalo do Banco Master. Galípolo afirmou que o BC agiu tempestivamente ao afastar servidores suspeitos de atuar em favor do banqueiro Daniel Vorcaro; e pediu que o Senado aprove mais autonomia orçamentária para a instituição aprimorar seu poder de fiscalização. A Comissão de Constituição e Justiça tem em pauta, nesta quarta-feira (20), a PEC 65/2023, que trata da autonomia do BC.

19/05/2026, 17h47
Duração de áudio: 03:30
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Transcrição
Em cinco horas de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, começou defendendo a política de juros altos como principal instrumento para o controle da inflação, que persiste no atual cenário de pleno emprego e aumento da renda. Galípolo evitou emitir opinião sobre as acusações de irregularidades no banco Santander durante a gestão de Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC, indicado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Defendeu o acordo aprovado pela instituição que multou o banco em R$ 19 milhões de reais e a independência da instituição frente às disputas políticas. Sobre o caso do Banco Master, Galípolo afirmou que o BC colabora com o Ministério Público e com a Polícia Federal nas investigações. Destacou a auditoria e a sindicância instauradas internamente; e o afastamento de Paulo Sérgio Souza e Belline Santana, servidores que teriam atuado em favor dos interesses do banqueiro Daniel Vorcaro: (Galípolo) "Não cabe ao Banco Central julgar, vai ser a Justiça que vai determinar o que realmente ocorreu, mas os indícios, em si, já foram algo que já foi muito grave e que causou uma grande sensibilização por parte de todos os servidores, eu, inclusive, ali." Mas os senadores apontaram falhas na governança do Banco Central no caso Master. Eduardo Braga, do MDB do Amazonas, citou a falta de avaliação de risco diante de uma expansão de ativos fora da curva do mercado financeiro:  (sen. Eduardo Braga) "Nós tomamos um tombo no Fundo Garantidor equivalente a um terço do nós tínhamos de reserva porque foi permitido exatamente que os ativos e a aquisição nos últimos anos fosse feito fora da curva da média - e isso é responsabilidade do Banco Central" Galípolo admitiu limitações operacionais. Disse que o Banco Central perdeu cerca de mil e duzentos servidores na última década, quando o número de instituições a serem fiscalizadas aumentou significativamente. Apontou dificuldades para adquirir novas tecnologias de automação de processos e uma legislação sobre liquidação de bancos defasada. Ele pediu que o Senado aprove proposta que amplia a autonomia financeira e orçamentária do BC: (Galípolo) "Se o Senado quer realmente ajudar a governança do Banco Central, pelo amor de Deus, aprova o PLP que está há dez anos na Câmara e dá autonomia para o Banco Central. O Banco Central da Nigéria tem, o do México tem, o da Inglaterra tem, o de Portugal tem. Todos esses bancos centrais têm recursos para poder competir com um sistema financeiro que tem muito recurso." A Comissão de Constituição e Justiça analisa uma Proposta de Emenda à Constituição que aumenta a autonomia do Banco Central e também prevê proteção ao sistema de pagamento PIX. O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, senador Renan Calheiros, do MDB de Alagoas, defendeu que o Congresso não só ajude a aprimorar a capacidade de supervisão bancária do Banco Central como atue para evitar novos rombos como o provocado pelo Master em fundos de aposentadoria e pensão: (sen. Renan Calheiros) "Essa discussão é fundamental: o que, do ponto de vista da legislação, nós devemos fazer com relação ao roubo dos recursos dos fundos previdenciários de estados e municípios - algo em torno de R$ 15 bilhões - que foram roubados pelo Master dos velhinhos e velhinhas." Depois da audiência com Galípolo, a Comissão de Assuntos Econômicos aprovou a convocação do ministro da Previdência, Wolney Queiroz, para falar sobre as auditorias feitas pelo Ministério sobre as relações entre o Banco Master e os fundos de previdência dos Estados e Municípios. Da Rádio Senado, Marcela Diniz.

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