“Ataque cibernético à urna eletrônica é inviável”, diz ex-secretário de tecnologia do TSE
No terceiro e último episódio da série sobre os 30 anos da urna eletrônica, um dos criadores do mecanismo, o servidor aposentado do TSE, Giuseppe Janino, explica alguns mecanismos de segurança do dispositivo. Ele também lamenta as campanhas de desinformação que, segundo ele, colocam dúvidas sobre a legitimidade desse instrumento democrático.

Transcrição
Para falar sobre os mecanismos de segurança da urna, é preciso falar sobre o que acontece antes do processo eleitoral – mais exatamente um ano antes. É quando o TSE abre os programas usados na votação para consulta de peritos de várias instituições, como polícia federal, partidos e universidades. É a chamada abertura do código-fonte da urna, ou seja, do conjunto de instruções que fazem com que ela funcione, como explica Giuseppe Janino, servidor aposentado do TSE, e considerado um dos pais da urna eletrônica.
(Giuseppe Janino) - Um especialista olha aqueles códigos-fonte e vê se ali não tem nenhuma maracutaia. Se tiver maracutaia, tem que estar no código-fonte, porque o computador só faz aquilo que está escrito ali. Não existe mágica. E aí, nesse momento, pode chegar qualquer uma dessas instituições e dizer, "cara, essa funcionalidade aqui está estranha". A instituição pode impugnar nesse momento. Se tiver alguma funcionalidade ali suspeita.
A versão dos programas aprovada pelas instituições é então, lacrada, ou seja, não pode mais ser modificada. É essa versão que é enviada aos estados para as eleições.
Uma curiosidade: cada urna tem sua assinatura, sua marca digital. E quando a votação termina a informação criptografada chega ao Tribunal Superior Eleitoral, sem chance de alteração no meio desse caminho, como esclarece Janino.
(Giuseppe Janino) - Então, ela assina, e antes ela criptografa, ou seja, ela protege aquele dado pra ninguém alterar. Então, no final da votação, o software vai nessa tabelinha, conta emite, imprime o resultado e entrega, inclusive, para os fiscais que estão ali na sessão eleitoral. Essa tabelinha, depois, ela vai pegar essa mesma informação, ela criptografa, assina, ela grava em uma pendrive, essa pendrive vai para um ponto de transmissão e é transmitido para o TSE.
Giuseppe Janino, que hoje presta consultoria em tecnologia eleitoral a governos de vários países, lamenta que a urna eletrônica tenha se transformado no alvo de uma campanha de desinformação. Ele acredita que combater esse ataque é o maior desafio da democracia.
(Giuseppe Janino) - A urna eletrônica resistiu bravamente a todos os ataques cibernéticos nesses 30 anos. Chegaram à conclusão de que a fraude cibernética, até então, ela é inviável.Como é que eles estão fazendo agora para tentar atingir a urna eletrônica? Atingir a sua imagem, usando o instrumento da desinformação. Então, esse é o grande desafio hoje da Justiça Eleitoral e do próprio regime democrático.
E uma última curiosidade. Janino revela como nasceu esse som que identifica a urna eletrônica em funcionamento.
Esse pilili fomos nós que criamos lá atrás, né. Então a gente falou, qual é o som que fica mais diferente, que vai chamar a atenção, justamente para o mesário saber que o eleitor lá atrás da cabina terminou seu voto com sucesso? E aí fizemos vários testes. Ah, esse aí está bom. E esse aí ficou para a história.
Com 30 anos em funcionamento, a urna eletrônica passa periodicamente por checagens como o Teste de Confirmação, processo que verifica necessidades de aprimoramento tecnológico e reafirma a parceria com instiuições acadêmicas e técnicas. Da Rádio Senado, Raíssa Abreu.

