Urna eletrônica completa 30 anos sem registro de fraude, afirma criador — Rádio Senado
30 Anos da Urna Eletrônica

Urna eletrônica completa 30 anos sem registro de fraude, afirma criador

O ex-secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral, Giuseppe Janino, foi um dos criadores da urna eletrônica. Ele ressalta que, em 30 anos, a Justiça Eleitoral não registrou uma fraude sequer. E fala das vantagens da mudança da cédula de papel para o sistema digital. Confira o segundo episódio da série sobre a mudança que revolucionou as eleições no Brasil.

14/05/2026, 13h20 - atualizado em 14/05/2026, 17h01
Duração de áudio: 03:26
Foto:Nelson Jr./ASICS/TSE

Transcrição
No episódio anterior dessa reportagem sobre os 30 anos da urna eletrônica... … calma, Pilili, eu já chego em você. Bom, no episódio anterior, eu te contei que, apesar de ser uma referência em tecnologia eleitoral no mundo, a urna eletrônica ainda não convenceu boa parte dos brasileiros e brasileiras de que é confiável. A Rádio Senado procurou, então, o matemático e servidor aposentado do TSE Giuseppe Janino, um dos maiores especialistas em tecnologia eleitoral do Brasil. Janino foi secretário de Tecnologia da Informação do tribunal e fez parte da equipe de especialistas reunidos pelo então ministro Carlos Velloso para solucionar o problema das fraudes eleitorais. (Giuseppe Janino) "Existe até uma historinha contada pelo ministro Luiz Fux, na época em que ele era juiz eleitoral, que ele foi acionado na véspera das eleições como juiz para verificar uma urna de lona suspeita. Ele chegou lá no local e constatou que aquela urna de lona estava mais pesada do que as outras. Aí determinou que ela fosse aberta. E ali ele constatou que tinham vários votos oficiais na véspera da eleição já inseridos na urna."  De acordo com Janino, considerado um dos pais da urna eletrônica, era importante que a solução encontrada não precisasse de acesso à internet nem de energia elétrica, que fosse barata e, ao mesmo tempo, resistisse aos desafios de logística do país. Ah, e que fosse fácil de usar, inclusive para analfabetos e deficientes auditivos e visuais, daí a existência de recursos como as teclas em braile e os fones de ouvido.  (Giuseppe Janino) "Você digita o número do seu candidato e vê a foto dele na tela. Conferiu? Tecla verde, confirma. Você digitou um número, apareceu uma outra fotinha? Tecla laranja, corrige, digita de novo. Quer votar em branco? Tecla branco, verde, confirma. Então, extremamente intuitivo." E, o mais importante: a urna eleitoral eletrônica precisava de recursos avançados de segurança, que pudessem ser aprimorados conforme a tecnologia evoluísse. (Giuseppe Janino) "Nós temos uma história de 30 anos, e a história mostra que não há nenhum caso de fraude em todo esse período. Quando nós saímos do papel, quando nós embarcamos o processo eleitoral no trem da tecnologia, o processo eleitoral passou a evoluir na mesma velocidade que a tecnologia evoluiu. Então, a cada ciclo, a cada eleição, nós temos, de acordo com o avanço da tecnologia, funcionalidades implementadas no processo focando na segurança e na transparência."    E aqui um detalhe: ter trocado o papel pelo sistema digital significa, por exemplo, que, enquanto no passado a contagem dos votos era feita manualmente, o que levava dias; hoje é possível conferir o resultado de uma votação em pouco tempo e em mais de 10 formas diferentes. No próximo episódio dessa série, Giuseppe Janino vai detalhar como funcionam alguns dos mecanismos de segurança da urna eletrônica. Se eu fosse você, apertava o verde. Da Rádio Senado, Raíssa Abreu

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