Controle de ultraprocessados em escolas é essencial para reduzir obesidade infantil, dizem especialistas — Rádio Senado
Audiência Pública

Controle de ultraprocessados em escolas é essencial para reduzir obesidade infantil, dizem especialistas

A venda de alimentos ultraprocessados nas escolas foi tema de debate no Senado nesta terça-feira (12). A Comissão de Educação convidou especialistas para discutir a proposta (PL 4501/2020) do senador Jaques Wagner (PT-BA), que proíbe a comercialização e a publicidade desses produtos em ambiente escolar. Para os convidados, proibir ultraprocessados é fundamental para redução da obesidade infantil. A iniciativa da audiência foi da senadora Teresa Leitão (PT-CE), que é presidente do colegiado.

12/05/2026, 20h08 - atualizado em 12/05/2026, 20h19
Duração de áudio: 02:55
Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

Transcrição
A venda de alimentos ultraprocessados nas escolas segue na mira do Senado Federal. A Comissão de Educação reuniu especialistas para debater a proposta do senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, que proíbe a venda e a publicidade desses produtos em ambiente escolar. A iniciativa foi da senadora Teresa Leitão, do PT do Ceará, que é presidente do colegiado. Os participantes da audiência destacaram a importância do controle do ambiente escolar na redução da obesidade infantil. De acordo com Fernando Nunes, diretor do Conselho Federal de Nutrição, houve um aumento exponencial na presença de ultraprocessados na dieta dos brasileiros e brasileiras nos últimos 40 anos. Ele disse que a escola é um dos ambientes geradores do problema. (Fernando Nunes) - A obesidade infantil é produzida por esse ambiente obesogênico, que é caracterizado por uma insegurança alimentar e nutricional constantes. E esse ambiente alimentar tem uma disponibilidade maior desses alimentos ultraprocessados e com preços também mais acessíveis. De acordo com a oficial de Saúde e Nutrição do Unicef para a Região Norte, Lígia Pantoja, o poder público precisa responder ao avanço da indústria dos ultraprocessados. (Lígia Pantoja) - O consumo elevado de ultraprocessado está associado não apenas ao excesso de peso, mas também às deficiências nutricionais, doenças crônicas e de forma crescente a impactos no desenvolvimento cerebral, no desempenho cognitivo, no bem-estar emocional e também na saúde mental dessas crianças e adolescentes. Esses produtos, entende-se que eles não são formulados para promover saúde, mas para maximizar o lucro. Sem regulação, essa lógica vai prevalecer sobre o interesse público com certeza. A senadora Dra. Eudócia, do PSDB de Alagoas, que é pediatra e relatora do projeto, apresentou dados que mostram que a proibição dos ultraprocessados nas escolas reduziria em 17% a obesidade entre crianças e adolescentes.  (sen Dra Eudócia) - A gente tem que se debruçar, todos nós. A gente tem que fazer uma força-tarefa para que a gente reverta essa realidade, doutora Camila, que a gente vê nas nossas escolas, sabendo que isso vai levar as nossas crianças e adolescentes a um futuro adulto doente. E não é isso que nós queremos. Também participaram da audiência representantes do Executivo, de entidades de defesa da criança e do adolescente e acadêmicos. O projeto está em análise na Comissão de Educação, e ainda seguirá para a Comissão de Assuntos Sociais. Da Rádio Senado, Raíssa Abreu.

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