Urna eletrônica completa 30 anos e é referência mundial, mas enfrenta desconfiança de quase metade da população — Rádio Senado
30 Anos da Urna Eletrônica

Urna eletrônica completa 30 anos e é referência mundial, mas enfrenta desconfiança de quase metade da população

A urna eletrônica foi usada pela primeira vez nas eleições municipais de 1996. No ano 2000, as eleições brasileiras foram 100% informatizadas. O país é hoje uma referência mundial no assunto, mas a tecnologia, criada para reduzir as fraudes, dar mais transparência e usabilidade ao sistema eleitoral, está longe de ser uma unanimidade.

11/05/2026, 07h58 - atualizado em 14/05/2026, 13h06
Duração de áudio: 03:23
Jeso Carneiro / https://www.flickr.com/photos/125816678@N05/

Transcrição
No Brasil, há 30 anos, votar tem esse som... É tanto tempo que é até difícil imaginar como as eleições funcionavam no passado. A professora aposentada da Universidade de Brasília Jodette Amorim, que chegou a trabalhar como mesária e fiscal quando os votos eram feitos em cédulas de papel, não tem saudade nenhuma. Ela conta que acontecia de as urnas de lona simplesmente... desaparecerem. Aqui em Brasília já aconteceu de, depois da eleição apurada, aparecer urna no mato, em alguma região qualquer. A apuração era também um horror, porque era aquela pilha de votos. Então, assim, a lisura da eleição era discutível, embora sempre feita com muita seriedade. Mas a possibilidade de erro era muito maior. A urna eletrônica, desenvolvida por um grupo intersetorial de especialistas e em constante aperfeiçoamento, foi usada pela primeira vez nas eleições municipais de 1996. No ano 2000, 100% das eleições brasileiras foram informatizadas. O Brasil é hoje uma referência mundial no assunto, como lembra o senador Randolfe Rodrigues, do PT do Amapá. (senador Randolfe Rodrigues) "Nós temos um dos sistemas eleitorais, graças às urnas eletrônicas, mais eficientes e mais rápidos do planeta. A democracia brasileira é uma das democracias mais admiradas do planeta, exatamente pelas urnas eletrônicas. Porque o Brasil foi pioneiro nisso. Quem critica as urnas eletrônicas é que tem saudade de um triste tempo. Um triste tempo em que o voto em cédula, esse sim, cambiava para a fraude." Mas apesar do pioneirismo, a urna eletrônica está entre os assuntos que mais dividem opiniões no país. Pesquisa da Genial/Quaest divulgada em fevereiro mostra que 53% dos brasileiros e brasileiras confiam no sistema, enquanto o índice de desconfiança é de 43%. No Senado, está em análise na Comissão de Direitos Humanos um projeto para que o voto seja impresso.  Para a senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal, a insegurança tem a ver com a falta de letramento digital da população e com recentes escândalos de corrupção. (senadora Damares Alves) "Eu trabalho com o povo lá na região ribeirinha. E esse ano a dúvida vai ser maior por causa da fraude do INSS, que era tudo eletrônico. E eles disseram, "lá no eletrônico eles roubam mais". Então, a gente vai ter questionamento, especialmente do povo, que não entende de tecnologia, a gente explicar porque pode confiar literalmente." Para continuar essa história, a Rádio Senado pediu ajuda, então, pra quem entende de tecnologia – ou melhor, quem entende dessa tecnologia. No próximo capítulo, vamos ouvir o servidor aposentado do Tribunal Superior Eleitoral, Giuseppe Janino, considerado um dos pais da urna eletrônica.   Da Rádio Senado, Raíssa Abreu.

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