Debate aponta potencial de campos maduros de petróleo no Brasil
A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado debateu o uso da pesquisa científica na exploração de campos maduros de petróleo e gás. Representantes do governo e do setor produtivo disseram que o Brasil ainda aproveita pouco esse potencial, principalmente em terra. O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) defendeu mais planejamento. Já o representante a Associação Brasileira dos Produtores Independetes de Petróleo e Gás, Márcio Félix, destacou o avanço tecnológico. Participantes também pediram mudanças na legislação para ampliar investimentos.

Transcrição
O papel da pesquisa científica na exploração de campos maduros de petróleo e gás foi tema de um debate na Comissão de Ciência e Tecnologia.
Representantes do governo e do setor produtivo destacaram que o Brasil aproveita pouco o potencial dessas áreas, principalmente em terra.
Segundo especialistas, o aumento da produção nesses campos pode gerar emprego e renda, além de reduzir a dependência de importação de gás natural.
O presidente da comissão, senador Astronauta Marcos Pontes, do PL de São Paulo, defendeu mais investimento e decisões estratégicas para o setor.
(senador Astronauta Marcos Pontes) "Pra mim, assim, eu fico impressionado pelo seguinte, eu sou da área de tecnologia. A gente tem tecnologia pra desenvolver isso, mas do meu ponto de vista é mais uma questão de vontade política, realmente tomar uma decisão e partir pra cima, colocar uma meta e partir pra fazer, pra realizar isso aí. É uma coisa que eu acho que o Brasil tinha que ter mais, a gente pensar em metas de política de Estado, assim, a gente vai desenvolver tal coisa e todo mundo focar, quem tiver de serviço no governo ali, cumpre pra dar continuidade no processo, né?"
Representantes do setor também destacaram que a exploração de campos maduros pode aproveitar estruturas já existentes, reduzindo custos e impactos ambientais.
Além disso, o avanço tecnológico permite aumentar o aproveitamento das reservas já descobertas.
Para o setor produtivo, o Brasil tem condições de ampliar essa atividade e seguir exemplos internacionais, como explicou Márcio Félix, da Associação Brasileira dos Produtores Independetes de Petróleo e Gás.
(Márcio Félix) "Então no mundo a média tem em torno de 35%. O Mar do Norte, que é um exemplo grande, tanto do lado da Noruega como do lado do Reino Unido, tem fatores de recuperação similares. Esse fator está quase num limite recorde do mundo. Mas o Brasil está ali numa faixa muito baixa. Então se a gente subisse para a média, a gente já cresceria mais de 50%. A gente dobraria o que tem hoje. Então imagina o Brasil ter o dobro do que a indústria de petróleo hoje".
A audiência reuniu representantes do Ministério de Minas e Energia, da Agência Nacional do Petróleo e de entidades do setor.
Os participantes também defenderam ajustes na legislação para facilitar investimentos e ampliar a produção.
A discussão faz parte de uma série de debates sobre segurança energética e desenvolvimento sustentável no país.
Com supervisão de Hérica Christian, da Rádio Senado, Henrique Nascimento.

