Senado rejeita indicação de ministro da AGU para o Supremo Tribunal Federal
Por 42 votos contrários e 34 favoráveis, o Plenário rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal (MSF 7/2026). O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse que o resultado é uma resposta do Senado ao que chamou de politização do STF com candidatos "militantes" do governo. O líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), declarou que houve uma antecipação do processo eleitoral. Já o relator da indicaçaõ, senador Weverton (PDT-MA), afirmou que o presidente Lula não deverá encaminhar outro nome antes das eleições de outubro.

Transcrição
Por 42 votos contrários e 34 favoráveis, o Plenário rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal.
Esta é a primeira vez em 132 anos que o Senado não aprova um nome enviado pelo presidente da República.
A oposição já tinha fechado questão contra o candidato do presidente Lula ao STF.
PL e Novo, além de alguns nomes do PP e do União Brasil, argumentaram que o advogado-geral da União atuaria de maneira politizada na suprema corte.
O senador Jorge Seif, do PL de Santa Catarina, afirmou que a rejeição é uma derrota pessoal do presidente Lula, que, apesar de ter anunciado a escolha de Messias em novembro, só encaminhou a indicação para o Senado em abril deste ano.
Uma resposta para Luiz Inácio Lula da Silva. Uma resposta do Plenário do Senado depois de 134 anos que não queremos mais politização na nossa Corte Suprema e que quase 70% dos brasileiros não confiam mais. Parabéns ao Senado da República.
O líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues, do PT do Amapá, disse que a rejeição ao nome de Jorge Messias foi uma antecipação da disputa eleitoral de outubro.
Não tem nada a ver com a reputação do ministro Messias. O ministro Messias é um dos melhores juristas da história desse país. Tem a ver com a circunstância da política. É uma sabatina e uma votação pressionada pelo processo eleitoral. Então, não julgo surpresa. Era uma votação apertada e no voto secreto é essa circunstância.
O líder da oposição, senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, disse que a rejeição de Jorge Messias é uma resposta ao próprio Supremo Tribunal Federal.
Não tenho nada contra o Jorge Messias. A nossa preocupação é com o perfil do indicado. Está se repetindo um padrão ou é um advogado particular ou é alguém muito próximo ou é alguém que tem um perfil político inclusive de militância junto ao PT. Aí também a questão do incômodo que o Senado tem hoje com a maneira como o Supremo Tribunal Federal tem se comportado.
O relator da indicação, senador Weverton, do PDT do Maranhão, também citou a antecipação da disputa eleitoral.
E avisou que o presidente Lula não deverá encaminhar outro nome para o STF antes de outubro.
Acredito que daqui para a eleição ele não deverá falar sobre isso. Eu acho. Lá atrás ele já tinha me dito que ele não iria mandar outro nome caso isso acontecesse. Impuseram uma derrota a uma pessoa que nada tinha a ver com o processo eleitoral. Eu acho que é isso que o presidente deve fazer e dizer "olha, agora eu vou para o ringue, vou para eleição" e os opositores têm a condição de enfrentá-lo na eleição.
Ao comentar a decisão do Plenário de rejeitar a indicação, Jorge Messias afirmou que o Senado é soberano e que a derrota faz parte do processo democrático de ganhar e perder.
O advogado-geral da União agradeceu aos senadores pelos votos recebidos. Da Rádio Senado, Hérica Christian.

