Debate aponta desafios na inclusão de pessoas autistas no mercado de trabalho
A Comissão de Direitos Humanos (CDH) debateu, nesta quinta-feira (9), a inclusão de pessoas autistas no mercado de trabalho. Desconhecimento das necessidades e falta de suporte foram alguns dos desafios relatados por pessoas no espectro e representantes de organizações. O Censo de 2022 do IBGE identificou 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista, mas ainda não há dados oficiais sobre a empregabilidade desse público.

Transcrição
Um debate na Comissão de Direitos Humanos apontou para as dificuldades enfrentadas pelas pessoas autistas no mercado de trabalho. Desconhecimento das necessidades e falta de suporte foram alguns dos desafios relatados por pessoas diagnosticadas no espectro e representantes de organizações.
O Censo de 2022 do IBGE identificou 2,4 milhões de pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Mas ainda não há dados oficiais sobre a empregabilidade desse público.
O neuropsicopedagogo Omar Heart, que é autista, afirmou que, no Brasil, a discussão ainda está muito focada na infância, sem considerar as pessoas que já cresceram e estão em busca de trabalho. Ele relatou que aqueles que conseguiram uma vaga não têm suas demandas atendidas.
(Omar Heart) " Quando ele precisa de cinco minutos para sair do escritório, para dar um pulo na varanda, ou ir ao banheiro, lavar o seu rosto para diminuir a sobrecarga sensorial, ele não pode fazer isso. Mas quando tem esses direitos, eles não são respeitados."
Para a presidente da comissão, senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal, o receio das empresas de contratarem pessoas autistas parte do desconhecimento e do preconceito com a deficiência. A senadora ainda falou da importância do trabalho desse público para o mercado.
(Senadora Damares Alves) "Há 30 anos atrás eu dizia, nós vamos ter médico com autismo, nós vamos ter professor com autismo, nós estamos nos preparando para isso? Eles estão aí, é mão de obra e o mercado de trabalho precisa deles, não são eles que tem que se adaptar ao mercado de trabalho. Nós vamos ter que fazer uma discussão que o mercado precisa se adaptar a eles também."
Representante da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Priscilla Selares reforçou que há resistência a mudanças no trabalho e nos processos seletivos quanto à adaptação para pessoas autistas.
(Priscilla Selares) "Mas para a gente conseguir conviver, principalmente no mundo do trabalho, com a diversidade humana, a gente precisa entender como já foi dito antes, a necessidade da gente atender a cada característica da forma como ela melhor pode desenvolver suas atividades no cotidiano."
A lei de cotas no Brasil exige que empresas com 100 empregados ou mais tenham vagas reservadas a pessoas com deficiência. Mas representantes do Ministério do Trabalho e Emprego revelaram que, de um milhão de vagas nessa categoria, menos de 600 mil estão ocupadas. Sob supervisão de Samara Sadeck, da Rádio Senado, Lana Dias.

