Uso de cigarro eletrônico por crianças e adolescentes é tema de debate no Senado
A Comissão de Assuntos Sociais debateu, nesta segunda-feira (6), o uso de cigarro eletrônico por crianças e adolescentes. Especialistas chamaram a atenção para a prevalência do uso depois da primeira experimentação, dependência e riscos à saúde. Danos no pulmão e no coração e efeitos colaterais na saúde mental foram alguns dos prejuízos citados pelos participantes. A venda do dispositivo no Brasil é proibida desde 2009.

Transcrição
O uso do cigarro eletrônico por crianças e adolescentes foi preocupação abordada na audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Censo Escolar de 2024, do IBGE, quase 30% dos alunos de 13 a 17 anos experimentaram alguma vez na vida o chamado vape. Especialistas chamaram atenção para a prevalência do uso depois da primeira vez, dependência e riscos à saúde.
Além dos danos mais conhecidos no pulmão e no coração, há efeitos colaterais na saúde mental, como explicou a médica Flávia Fonseca Fernandes, secretária-geral da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. O consumo de nicotina gera liberação de dopamina no cérebro, provocando sensação de prazer, o que leva à dependência no uso. A médica lembrou que a nicotina no vape não tem o mesmo gosto do cigarro convencional.
(Flávia Fonseca Fernandes) "Eu tenho uma nicotina manufaturada, uma nicotina industrializada, eu tenho sais de nicotina. Esse sais de nicotina ele não tem o gosto ruim da nicotina, então é mais fácil fumar ele. E ele se vincula de uma forma mais forte, ele altera os meus neurotransmissores de um jeito mais intenso, e ele acaba liberando mais dopamina."
A venda do dispositivo no Brasil é proibida desde 2009. Mas, em 2024, surgiram debates a respeito da regulamentação do cigarro eletrônico, como lembrou a senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal. Ela afirmou que, à época, houve discussão sobre questões financeiras. Mas, segundo ela, o debate na comissão foi motivado pela preocupação de pais e mães.
(Senadora Damares Alves) "As famílias querem também ter espaço para falar sobre a regulamentação dos cigarros eletrônicos, a legalização do uso de cigarros eletrônicos. Os pais estão preocupados, porque o que nós estamos vendo? Crianças de dez anos fazendo consumo no Brasil."
Representante do Instituto Nacional de Câncer, André Szklo (Isclô) afirmou que, mesmo com a taxa de quase 30% na experimentação do vape por menores, o índice de uso diário no Brasil ainda é inferior a países em que a venda é permitida.
Outros pontos abordados por participantes foram a falta de fiscalização, inclusive na venda digital, e a necessidade de campanha nacional sobre os males das drogas, inclusive do cigarro eletrônico. Sob supervisão de Samara Sadeck, da Rádio Senado, Lana Dias.

