Relatório da CPMI do INSS é rejeitado por 19 votos a 12 — Rádio Senado
CPMI do INSS

Relatório da CPMI do INSS é rejeitado por 19 votos a 12

A CPMI do INSS rejeitou, por 19 votos a 12, na madrugada deste sábado (28), o relatório final de trabalho apresentado pelo deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL). Instalada em agosto do ano passado, a Comissão havia proposto o indiciamento de 216 pessoas acusadas de envolvimento bilionário de fraudes em benefícios de aposentados e pensionistas. Mas com a rejeição do relatório, a CPMI chega ao fim sem um documento final aprovado.

28/03/2026, 02h18
Duração de áudio: 02:46
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Transcrição
A leitura do relatório final, apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar, do União de Alagoas, aconteceu durante toda a sexta-feira, e o documento foi submetido a votação já na madrugada do sábado. O texto sugeria o indiciamento de 216 pessoas por 23 tipos diferentes de crimes, entre eles o de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Entre os citados no relatório rejeitado, dois ex-ministros do Trabalho e Previdência, José Carlos Oliveira, do governo Bolsonaro, e Carlo Lupi, do atual governo; o banqueiro Daniel Vorcaro; parlamentares como a deputada Gorete Pereira, do MDB do Ceará, e o senador Weverton, do PDT do Maranhão; ex-dirigentes do INSS e da Dataprev; e também o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema . O líder da oposição, senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, afirmou que o trabalho da CPMI possibilitou uma investigação abrangente do esquema criminoso. “Quando a AGU, a CGU, começaram finalmente a se debruçar de uma maneira séria a respeito do tema, apenas 11 entidades estavam arroladas na investigação inicial. Foi esta CPMI, com a cobrança, com a forma incisiva, dura com que foi colocada que fez com que essa investigação fosse ampliada para as demais trinta e tantas associações, inclusive aquelas protegidas pelo governo atual”. Mas para o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, do PT do Amapá, as investigações deveriam focar também no governo anterior, inclusive no próprio ex-presidente Jair Bolsonaro:   “Ele tinha conhecimento, o Ministério da Justiça teve conhecimento, a CGU do governo dele teve conhecimento. O total do roubo é de quase R$ 3 bilhões, e todas as entidades, que totalizam o valor do roubo foram credenciadas entre 2019 e 2022. Aí está a matriz de todo o esquema”. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, do Podemos de Minas Gerais, defendeu o relatório de Alfredo Gaspar:   "As mais de 4 mil páginas não são vazias, mas o resultado de uma investigação minuciosa de todo o esquema. Nós fizemos a nossa parte, com coragem, com responsabilidade, sem blindar ninguém. A verdade foi entregue". O relatório acabou rejeitado por 19 votos a 12. Instalada em agosto do ano passado para investigar fraudes bilionárias em benefícios de aposentados e pensionistas, a CPMI do INSS ouviu 36 depoimentos nesses 7 meses, e aprovou mais de 2 mil requerimentos, a maior parte referente a quebra de sigilo.  

Ao vivo
00:0000:00