Diagnóstico tardio e remédios caros desafiam tratamento do neuroblastoma no SUS
A Subcomissão Temporária que debate propostas relacionadas à prevenção e ao tratamento de câncer (CASCâncer), que funciona como parte da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, promoveu nesta quinta-feira (26) uma audiência sobre o neuroblastoma, câncer que afeta, principalmente, bebês e crianças pequenas. Debatedores elencaram dificuldades no tratamento via SUS entre os quais o diagnóstico tardio e falta de acesso a medicamentos de alto custo.

Transcrição
O neuroblastoma é um tipo de câncer do sistema nervoso que acomete principalmente crianças menores de 10 anos de idade. Corresponde a cerca de 8% dos casos de tumores infantojuvenis diagnosticados no Brasil e, de acordo com debatedores presentes na audiência da subcomissão que analisa propostas relacionadas ao câncer, o tratamento enfrenta desafios como a oferta, no SUS, de medicamentos e terapias de ponta, mesmo aqueles já aprovados pelo Conitec, instância responsável por incorporar novas tecnologias ao SUS.
Em 2023, após longa batalha judicial por um remédio de alto custo, sem sucesso, Laira dos Santos Inácio perdeu sua filha, Ana Júlia. Fundou o Instituto Anaju para ajudar outras famílias que passam por isso:
(Laira dos Santos Inácio) "Foram 20 processos para assegurar o direito da minha filha viver. Enquanto isso, a doença não esperava. Teve dias em que eu só olhava para minha filha e pedia ajuda a Deus, porque o sistema não estava funcionando mas o que eu vivi não é exceção, é a realidade de muitas famílias aqui no Brasil."
Entre 40% e 50% dos casos são detectados em estágio avançado, o que diminui as chances de sobrevivência. Para a senadora dra. Eudócia, do PL de Alagoas, faltam especialistas para perceber os primeiros sinais do neuroblastoma. Ela defendeu a aprovação de um projeto de sua autoria que aumenta o número de pediatras na atenção básica:
(sen. Eudócia) "Eu coloco ao menos um pediatra para cada quatro equipes de saúde da família. Por onde é que essas crianças entram? Pelas UBS's. E aí, se tivermos um pediatra e já direcionar para o colega oncologista, a gente já andou meio caminho."
O Ministério da Saúde começa a trabalhar o Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica, PCDT, documento que vai orientar os gestores do SUS no tratamento do neuroblastoma. A meta é garantir que diagnóstico, tratamento, medicamentos, controle clínico e avaliação de resultados estejam disponíveis em toda a rede pública. A Coordenadora da Política de Prevenção e Controle do Câncer do ministério, Suyanne Monteiro, disse que a luta contra o câncer infantil ganhou reforços na Pasta:
(Suyanne Monteiro) "O neuroblastoma foi definido como a primeira neoplasia pediátrica a inaugurar a agenda de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas no campo do câncer infanto-juvenil. E isso só foi possível porque agora existe no Ministério da Saúde uma coordenação dedicada ao câncer infanto-juvenil,
O neuroblastoma se manisfesta principalmente no abdômen, mas tumores podem surgir também regiões cervical e pélvica. Da Rádio Senado, Marcela Diniz.

