Ex-governador denuncia fraude em consignados e superendividamento de servidores — Rádio Senado
CPMI do Crime Organizado

Ex-governador denuncia fraude em consignados e superendividamento de servidores

A CPI do Crime Organizado ouviu o ex-governador de Mato Grosso e ex-senador Pedro Taques, que advoga para sindicatos de servidores públicos estaduais vítimas do desvio de dinheiro por meio de empréstimos consignados com possível envolvimento do Banco Master. Taques disse que a elevada margem dos empréstimos (até 60% dos salários) e os altos juros provocaram o superendividamento dos servidores. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apontou semelhanças com ilícitos revelados pela CPMI do INSS.

25/03/2026, 20h14 - atualizado em 25/03/2026, 20h21
Duração de áudio: 02:34
Foto: Pedro França/Agência Senado

Transcrição
O ex-governador de Mato Grosso e ex-senador Pedro Taques disse em depoimento à CPI do Crime Organizado, que o Banco Master liderou um esquema de fraudes em créditos consignados no seu estado. Segundo Taques, que atua como advogado de sindicatos de servidores públicos em defesa das vítimas, o banco coordenava uma rede de instituições financeiras que cometiam irregularidades, induzindo servidores públicos a contratarem empréstimos e dificultando o acesso às informações dos contratos. A elevada margem dos empréstimos, comprometendo até 60% dos vencimentos; e os altos juros cobrados  acabaram provocando o colapso na renda e o superendividamento dos servidores. (Pedro Taques) "Os juros de 1,7% passam para 4,7%, 5,5%; e entram uma invasão de satélites do Banco Master. O que eu chamo de satélites são tamboretes, não são bancos, porque não têm autorização do Banco Central; e têm apelido: ClickBank... E isso faz com que o cidadão fique pensando que é uma instituição financeira séria, mas na realidade não é." Relator da CPI, o senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, disse que há indícios de atuação fraudulenta do Master em 23 estados do país e em 160 prefeituras; e pediu a Taques uma estimativa do número de vítimas  em Mato Grosso. (senador Alessandro Vieira temos as hipóteses de fraude pura e simples, de consignados que nunca existiram; em duas formas: primeiro, em simulações contábeis, para fins de inflar o fundo; mas também de vítimas que nunca deram autorização para que o consignado fosse registrado e mesmo assim, tiveram débitos apontados. Então, o senhor tem a informação de quantos servidores foram impactados por fraudes no Estado do Mato Grosso? (Pedro Taques) "Dos 106 mil servidores, 45 mil tem consignados ligados a essas consignatárias que aí nós estabelecemos". Pedro Taques apontou ainda indícios de repasses de fundos de investimentos a políticos do seu estado; e da revenda de créditos ao BRB, o Banco de Brasília, por valores considerados "inflados". Os 3 senadores da bancada de Mato Grosso, Jayme Campos, do União; Wellington Fagundes, do PL; e Margareth Buzetti, do Progressistas, questionaram as conclusões apresentadas por Taques à CPI, alegando que até o momento, o Ministério Público de Mato Grosso não identificou irregularidades nos repasses. Da Rádio Senado, Cesar Mendes.

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