Crime organizado não é terrorismo, dizem parlamentares — Rádio Senado
Comissões

Crime organizado não é terrorismo, dizem parlamentares

Senadores e deputados manifestaram preocupação quanto à possibilidade de as atividades do crime organizado no Brasil serem classificadas como terrorismo no atual contexto internacional. O debate aconteceu durante a instalação da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência. O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que vai presidir o colegiado em 2026, disse que o tema precisará ser discutido com cautela.

18/03/2026, 18h34 - atualizado em 18/03/2026, 18h48
Duração de áudio: 02:32
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Transcrição
Senadores e deputados manifestaram preocupação quanto à possibilidade de as atividades do crime organizado no Brasil serem classificadas como terrorismo no atual contexto internacional. O debate aconteceu durante a instalação da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência. O senador Nelsinho Trad, do PSD de Mato Grosso do Sul, que vai presidir o colegiado em 2026, disse que o tema precisará ser discutido com cautela. Por se tratar de um tema principal, eu proponho, com a anuência dos pares, que ele possa fazer parte da nossa próxima sessão e a gente se prepararia para poder debater essa questão. Ainda mais com essa situação dos Estados Unidos, de querer classificar organizações criminosas como terroristas, o impacto disso. O deputado Arlindo Chinaglia, do PT de São Paulo, frisou que apenas o Conselho de Segurança da ONU pode definir o que é terrorismo.  Veja, o presidente da República, ele sugeriu ao presidente Trump ação conjunta para combater o crime organizado. Entretanto, para os Estados Unidos, quando eles definem que ali há terrorismo, eles se auto-outorgam o direito de ir combater aquele hipotético terrorismo até no Brasil,ou em outro país. Já o senador Hamilton Mourão, do Republicanos do Rio Grande do Sul, disse que, ainda que por vezes utilize métodos terroristas, o crime organizado no Brasil não pode ser classificado de terrorismo. Quando vai se olhar o fundo, realmente elas não têm aquela finalidade precípua do terrorismo, que é mudar a forma que um Estado se organiza. Então a gente vai ter que debater isso, mostrando que uma coisa é método, outra coisa é fim, sob a ótica da inteligência de Estado. E a inteligência continua a ser uma atividade pouco compreendida dentro do Brasil, por coisas que vêm do nosso passado. E que, mais do que nunca, a gente tem que entender que a inteligência é um instrumento do Estado brasileiro, independente de qual seja o governo de turno. A comissão vai retomar o tema após o feriado da Semana Santa, numa reunião fechada, com a presença de um representante do Ministério das Relações Exteriores. Da Rádio Senado, Raíssa Abreu

Ao vivo
00:0000:00