Crime organizado não é terrorismo, dizem parlamentares
Senadores e deputados manifestaram preocupação quanto à possibilidade de as atividades do crime organizado no Brasil serem classificadas como terrorismo no atual contexto internacional. O debate aconteceu durante a instalação da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência. O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que vai presidir o colegiado em 2026, disse que o tema precisará ser discutido com cautela.

Transcrição
Senadores e deputados manifestaram preocupação quanto à possibilidade de as atividades do crime organizado no Brasil serem classificadas como terrorismo no atual contexto internacional. O debate aconteceu durante a instalação da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência. O senador Nelsinho Trad, do PSD de Mato Grosso do Sul, que vai presidir o colegiado em 2026, disse que o tema precisará ser discutido com cautela.
Por se tratar de um tema principal, eu proponho, com a anuência dos pares, que ele possa fazer parte da nossa próxima sessão e a gente se prepararia para poder debater essa questão. Ainda mais com essa situação dos Estados Unidos, de querer classificar organizações criminosas como terroristas, o impacto disso.
O deputado Arlindo Chinaglia, do PT de São Paulo, frisou que apenas o Conselho de Segurança da ONU pode definir o que é terrorismo.
Veja, o presidente da República, ele sugeriu ao presidente Trump ação conjunta para combater o crime organizado. Entretanto, para os Estados Unidos, quando eles definem que ali há terrorismo, eles se auto-outorgam o direito de ir combater aquele hipotético terrorismo até no Brasil,ou em outro país.
Já o senador Hamilton Mourão, do Republicanos do Rio Grande do Sul, disse que, ainda que por vezes utilize métodos terroristas, o crime organizado no Brasil não pode ser classificado de terrorismo.
Quando vai se olhar o fundo, realmente elas não têm aquela finalidade precípua do terrorismo, que é mudar a forma que um Estado se organiza. Então a gente vai ter que debater isso, mostrando que uma coisa é método, outra coisa é fim, sob a ótica da inteligência de Estado. E a inteligência continua a ser uma atividade pouco compreendida dentro do Brasil, por coisas que vêm do nosso passado. E que, mais do que nunca, a gente tem que entender que a inteligência é um instrumento do Estado brasileiro, independente de qual seja o governo de turno.
A comissão vai retomar o tema após o feriado da Semana Santa, numa reunião fechada, com a presença de um representante do Ministério das Relações Exteriores.
Da Rádio Senado, Raíssa Abreu

