Chanceler Mauro Vieira condena guerra e senadores alertam para impacto global
A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) ouviu nesta quarta-feira (18) o chanceler Mauro Vieira sobre a guerra no Oriente Médio. Ele disse que o conflito começou em meio a negociações e alertou para riscos ao comércio, à energia e ao preço de insumos estratégicos, como fertilizantes. Senadores destacaram a atuação do Itamaraty no resgate de brasileiros na região e cobraram esclarecimentos sobre os efeitos humanitários e econômicos da crise.

Transcrição
A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional ouviu nesta quarta-feira o chanceler Mauro Vieira sobre a escalada do conflito no Oriente Médio.
Ele afirmou que a guerra surpreendeu por ter começado em meio a negociações diplomáticas que, segundo o Itamaraty, estavam em andamento.
Ao defender a necessidade de um cessar-fogo, Mauro Viera alertou que a crise ameaça não só a estabilidade regional, mas também o comércio internacional, o fornecimento de energia e o preço de produtos essenciais.
o Brasil deixou muito claro desde o início que condenou tantos ataques dos Estados Unidos, de Israel ao Irã, que desencadeou toda essa crise. Isso não saiu do nada. como também a retaliação que não está de acordo com o direito internacional e a carta da ONU da forma em que ocorreu, mas evidente que são países todos importantes sócios comerciais com os quais temos relações políticas de muitos anos e queremos manter.
O chanceler também detalhou a complexidade da operação montada para atender cerca de 70 mil brasileiros que moram nos países do Golfo e do Oriente Médio.
Além disso, havia, no início da escalada militar, aproximadamente 8 mil brasileiros em trânsito por aeroportos da região, principalmente nos Emirados Árabes Unidos e no Qatar, o que exigiu uma mobilização intensa da rede diplomática brasileira.
O senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, elogiou a resposta rápida do Itamaraty no atendimento aos cidadãos brasileiros afetados pela paralisação dos voos.
Fui testemunha porque eu tava com uma sobrinha voltando da Índia com seu esposo e um grupo de pessoas que foram fazer uma visita à Índia, fizeram a escala Doha e não puderam decolar aquilo que era apenas uma visita de 24, 48 horas. Eles lá tiveram que permane ser 11 ou 12 dias. Eu quero ser testemunha da presteza com que toda a nossa unidade diplomática no Qatar e em Dorra, particularmente. Então, quero parabenizar toda a equipe.
Já a senadora Tereza Cristina, do Progressistas de Mato Grosso do Sul, pediu ao ministro uma avaliação mais ampla sobre os desdobramentos da guerra, não apenas do ponto de vista humanitário, mas também dos reflexos econômicos para o Brasil.
Essa guerra que começou para ser uma guerra de curtíssimo prazo e já se estende aí por quase, acho que mais de um mês, né? Segundo, os efeitos que essa guerra trará pro Brasil, mais na área de comércio porque eu acho que esse também é um ponto sensível. E claro que sob o ponto de vista humanitário.
Em resposta, o Ministro Mauro Vieira afirmou que a crise pode pressionar preços e atingir o mercado de fertilizantes, essencial para o agronegócio brasileiro. Segundo ele, o governo busca diversificar fornecedores e ampliar parcerias comerciais para reduzir riscos de desabastecimento. Os senadores também celebraram o avanço do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, uma parceria que trará novas perspectivas comerciais para a economia brasileira nos próximos meses após ser ratificada. Da Rádio Senado, Marcella Cunha

