Procuradoria da Mulher do Senado lança Guia da Candidata para orientar mulheres nas eleições
A Procuradoria da Mulher do Senado lançou nesta terça-feira (17) o Guia da Candidata com informações que auxiliam as mulheres que desejam entrar na corrida eleitoral. São disponibilizadas orientações práticas desde a pré-candidatura até o pós-eleição. Para a Procuradora Especial da Mulher do Senado, senadora Augusta Brito (PT-CE), mulheres enfrentam mais obstáculos para entrar e permanecer na política, e a publicação pode ajudar a mudar essa realidade.

Transcrição
O Guia da Candidata lançado pela Procuradoria da Mulher do Senado foi pensado para acompanhar desde a pré-candidatura até o pós-eleição, com orientações sobre documentos necessários, regras e prazos para candidaturas; como escolher um partido político e, uma vez dentro dele, fazer valer direitos como acesso aos 30% do tempo de propaganda e dos recursos dos fundos partidário e eleitoral para bancar campanhas de mulheres. Também informa o que pode e o que não pode fazer no dia da eleição e orienta a prestação de contas sem pânico em relação às regras da Justiça Eleitoral.
Na sessão especial de lançamento do Guia, a Procuradora Especial da Mulher do Senado, senadora Augusta Brito, do PT do Ceará, lembrou que mulheres enfrentam, historicamente, mais obstáculos para entrar e permanecer na política; e a publicação pode ajudar a mudar essa realidade:
(sen. Augusta Brito) "A política não é neutra, ela ainda é atravessada por desigualdades de gênero, raça e classe que impõem obstáculos concretos à participação feminina. O guia da candidata foi elaborado para que nenhuma mulher entre nesse processo sozinha."
O Guia ainda ensina como identificar práticas que caracterizam a violência política de gênero, como o uso de vídeos manipulados ou fake news para prejudicar candidaturas femininas. E diz como colher provas, fazer boletim de ocorrência e onde procurar apoio psicológico e jurídico. O Guia da Candidata divulga também o serviço Zap Delas, ferramenta criada pela Procuradoria da Mulher do Senado para receber denúncias desse tipo de crime.
Vítima de violência política, a senadora Eliziane Gama, do PSD do Maranhão, argumentou que a melhor resposta é não se deixar intimidar e aumentar a presença de mulheres nos espaços de decisão:
(sen. Eliziane Gama) "Com a nossa determinação, nós poderemos dobrar o número de mulheres na Câmara dos Deputados hoje, dobrar o número de senadoras aqui no Senado Federal. Agora nós não vamos mudar com medo,nós vamos mudar com o avanço."
A senadora Leila Barros, do PDT do Distrito Federal, classificou a violência política de gênero como uma ameaça à própria democracia:
(sen. Leila Barros) "A violência política contra as mulheres é hoje uma das principais barreiras para ampliar a participação feminina na política brasileira. Isso não é apenas um problema das mulheres, isso é um problema da democracia brasileira. Porque quando as mulheres são atacadas ou silenciadas na política, o que está em risco é a própria qualidade da nossa democracia."
Ao pontuar que a democracia só será plena com mais diversidade na política, a ministra dos povos indígenas, Sônia Guajajara, parabenizou o Senado por lançar um guia que reconhece as diferentes realidades vividas pelas mulheres no Brasil:
(Sônia Guajajara) "Fala também para mulheres indígenas, negras, quilombolas, periféricas, trans, do campo, das águas e de povos e comunidades tradicionais. A democracia só será verdadeira quando acolher de fato a diversidade das mulheres brasileiras."
O Guia da Candidata está disponível na página da Procuradoria Especial da Mulher, no portal do Senado: senado.leg.br. Da Rádio Senado, Marcela Diniz.

