Orçamento e desigualdades desafiam primeira infância no Brasil, apontam debatedores
A falta de orçamento e as desigualdades sociais, regionais, raciais e territoriais são os maiores desafios para a efetivação do Marco Legal da Primeira Infância. Esse foi o diagnóstico consensual entre os participantes da audiência pública que a Comissão de Educação promoveu para fazer um balanço dos 10 anos da lei, que trata dos princípios para elaboração das políticas públicas voltadas para os primeiros anos do desenvolvimento infantil.

Transcrição
A falta de orçamento e as desigualdades sociais, regionais, raciais e territoriais são os maiores desafios para a efetivação do Marco Legal da Primeira Infância. Esse foi o diagnóstico consensual entre os participantes da audiência pública que a Comissão de Educação promoveu para fazer um balanço dos 10 anos da lei. O Marco Legal da Primeira Infância trata dos princípios para elaboração das políticas públicas voltadas aos primeiros anos do desenvolvimento infantil, que vão do nascimento aos 6 anos de idade.
A representante do Ministério da Saúde, Sonia Venancio, disse que, apesar da queda na mortalidade infantil verificada nos últimos anos, as taxas mais expressivas ainda são registradas nas regiões Norte e Nordeste. Ela também apresentou dados que mostram que crianças em pior situação socioeconômica têm uma exposição menor a atividades de estímulo, como conversar, cantar e brincar.
Já para Maíra Souza, do Unicef, os investimentos na primeira infância precisam considerar as desigualdades raciais. Ela observou que esses investimentos são estratégicos para quebrar os ciclos de pobreza e violência.
Um menino negro tem quatro vezes mais chances de ser assassinado do que um menino branco e 21 vezes mais chances de ser assassinado do que uma menina branca na mesma idade. Como é que é essa experiência de um menino negro desde a primeira infância, que é quando muitas vezes ele deixa de ser lido como um menino, sujeito de direitos, e ele passa muitas vezes a ser lido como um menor?
Apesar dos desafios, a senadora Teresa Leitão, do PT de Pernambuco, que é presidente da Comissão de Educação, disse acreditar que há muito que comemorar. Ela citou, por exemplo, a aprovação do ECA Digital, que estabelece normas para proteção de crianças e adolescentes na internet.
, nós tivemos o fortalecimento do direito de brincar, mais de 1.400 planos municipais da primeira infância, a criação do programa Criança Feliz, a criação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância, a ampliação da Licença Paternidade, Outro importante avanço é o ECA Digital,
Também participaram da audiência representantes do Ministério da Educação, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência
Social, Família e Combate à Fome, da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e da Rede Nacional Primeira Infância.
Da Rádio Senado, Raíssa Abreu

