Auditores apontam que mercado ignorou alertas no caso Master — Rádio Senado
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Auditores apontam que mercado ignorou alertas no caso Master

O grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) que investiga o caso Banco Master discutiu nesta terça-feira (17) os limites da auditoria independente e a dificuldade de detectar fraudes estruturadas fora das empresas. Os auditores disseram que os relatórios do Master já traziam alertas de fraude, mas são pouco lidos. Senadores cobraram mais fiscalização, integração entre reguladores e regras mais duras para verificar o valor real dos ativos e punir fraudes financeiras.

17/03/2026, 15h33 - atualizado em 17/03/2026, 15h35
Duração de áudio: 03:39
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Transcrição
Durante a audiência da Comissão de Assuntos Econômicos sobre o papel das auditorias no caso do Banco Master, convidados ligados à auditorias independentes e à contabilidade defenderam a importância do controle técnico sobre os balanços. Mas afirmaram que o auditor não consegue alcançar, sozinho, as estruturas montadas para fraudar demonstrações financeiras. O presidente do conselho da Trevisan Escola de Negócios, Antoninho Marmo Trevisan, explicou que o auditor responsável pelo caso Master se utilizou da "abstenção de opinião", que é o recurso técnico mais grave possível quando as contas não fecham ou as informações são sonegadas, mas o mercado ignorou o alerta. (Antoninho Marmo Trevisan) "Os relatórios de auditoria, por alguma razão, são poucos lidos. O auditor não é polícia, o auditor não é o fiscal, o auditor não tira uma empresa da sua da bolsa de valores. Ele manda pros órgãos reguladores. Os órgãos reguladores tomam conhecimento imediatamente da situação. O senhor vai me perguntar: 'Então, por que não tomaram as decisões?' Isso eu não sei te responder." Na mesma linha, o presidente  do Conselho Federal de Contabilidade, Joaquim Bezerra, reforçou que a auditoria é apenas uma parte da governança, não o conjunto inteiro. Segundo ele, quando administração, conselho, controles internos e supervisão falham, a informação entregue ao auditor também fica comprometida. Por isso, defendeu menos politização dos conselhos de administração e fiscais,  e punição a profissionais da contabilidade que tenham agido fora das normas. Já o diretor do Ibracon, o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, Rogério Lopes Mota, argumentou que a auditoria independente não tem poder de polícia e não consegue acessar movimentações financeiras fora da empresa auditada. Por isso, alegou que quando a fraude envolve estruturas externas, como fundos de investimento, o trabalho do auditor fica muito mais difícil. Mas os senadores classificaram os alertas técnicos emitidos, como a 'abstenção de opinião' como tímidos e insuficientes diante da possibilidade de fraudes bilionárias. É o caso do senador Esperidião Amin, do Progressistas de Santa Catarina, que cobrou mais fiscalização sobre o valor real dos ativos. (senador Esperidião Amin) "No minimo ele deveria dizer, eticamente ele deveria dizer: 'isso aqui precisa ser investigado'.    Isso aí é eufemismo. Ele se absteve. Isso aí na na socialite é luva de pelica. Bota em negrito, bota com ponto de exclamação. Isso é a sugestão que vocês têm que dar." Pela Comissão de Valores Mobiliários, Fábio Pinto Coelho explicou que no caso dos fundos estruturados, como do Master, a existência e o valor dos ativos são mais difíceis de verificar. Por isso, defendeu regras mais duras e avaliações independentes. Os senadores pediram mais integração entre Banco Central e a CVM, e o acesso direto pelos auditores a sistemas de controle, como o Registrato, para identificar quem realmente está por trás das operações dos mais de 32 mil fundos privados do país. Os parlamentares também cobraram a aprovação de projetos de lei que tipifiquem a fraude financeira e contábil como crime e que criem a figura do "denunciante de boa-fé", que comunica uma suspeita de fraude sem intenção de mentir ou prejudicar alguém. Da Rádio Senado, Marcella Cunha

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